Quanto da minha renda posso investir?

Quanto da minha renda posso investir?

Quando se fala em investimento, o que vem à sua cabeça? Muitos podem surgir com o termo poupança, que se popularizou enormemente nos anos 1980 e 1990 pela facilidade de resgate, sem perder a liquidez.

Hoje, vivemos um momento diferente. Enquanto especialistas em finanças pessoais vivem trazendo argumentos para abandonar de vez a famosa ‘caderneta de poupança’, muitos brasileiros ainda têm como barreira as dívidas do dia a dia.

O número de endividados aumentou ainda mais com a chegada da pandemia de Covid-19, que arrebatou a economia mundial. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) identificou que a média de famílias com dívidas a pagar subiu quase 3 pontos percentuais de 2019 para 2020, atingindo um recorde de 66,5%.

Esse percentual gera um risco para a economia. As instituições financeiras tendem a ficar mais receosas com a concessão de empréstimo, visto que pode gerar um alto índice de inadimplência.

Dar a volta por cima pode parecer complicado mas, com bastante disciplina, organização e apoio de toda a família, é possível sair do vermelho e começar a montar a sua própria carteira de investimentos.

A primeira coisa a se fazer é identificar todos os seus gastos para, depois, traçar um plano de ação de como dar início aos seus investimentos. Vamos explicar todos os detalhes de como você pode começar, hoje mesmo, a ter uma vida financeira mais organizada.

Liste todos os seus gastos

Muito provavelmente você sabe o quanto ganha por mês com o seu salário ou os diferentes tipos de rendimentos que possui. Mas, sabe quanto realmente gasta?

A melhor forma de fazer esse controle é por meio de uma planilha. Com ela, você consegue inserir seus gastos mensais: pode começar com a listagem das despesas obrigatórias, como aluguel, água, luz, gás etc. 

Caso tenha pagamentos correntes, como colégio particular, cursos de idiomas, assinaturas, pacotes de TV, entre outros, também é preciso indicar na planilha, para ver o quanto esses valores comprometem seus gastos mensais. Dívidas e fatura de cartão de crédito também devem compor essa listagem.

Até mesmo os pequenos gastos do dia a dia devem ser listados em planilha. Sabe o cafezinho que você toma antes de chegar no trabalho ou a cerveja do happy hour com os amigos? Tudo isso deve entrar na lista, para que você saiba realmente como anda os seus gastos mensais.

Somente dessa forma você consegue identificar o quanto realmente está comprometendo de seus rendimentos mensais

Se os seus gastos são maiores do que os seus rendimentos, você precisa, antes de mais nada, estruturar um plano de ação para reduzir as suas despesas. Sempre inicie pelos gastos supérfluos, como o cafezinho da padaria, assinaturas de TV a cabo, por exemplo, entre outros.

Caso tenha dívidas para pagar, priorize, antes mesmo de juntar dinheiro. Afinal, quando você deixa de pagar por uma dívida, seu juros acumula num valor maior do que ganharia com os rendimentos de manter o dinheiro guardado. Por isso mesmo, observe quando acontecem os feirões de renegociação ou, se puder, junte para pagar tudo à vista, para ter um bom desconto na quitação da sua dívida.

Quando tiver a oportunidade, faça um tipo de investimento em um local que seja de fácil resgate, pelo menos para começar - mesmo que seja a poupança, por exemplo.

Você pode começar com um valor pequeno, até aumentar aos poucos e, finalmente, turbinar os seus investimentos. Mas, como fazer isso? Vamos entrar nos detalhes a seguir.

Qual o valor ideal para investir?

Se por um lado temos muitos brasileiros em situação de endividamento, por outro temos um percentual cada vez mais interessado em procurar novas formas de investimento.

Para se ter uma ideia, o termo educação financeira tem apresentado um índice de crescimento nas pesquisas online, segundo levantamento do Google. Isso porque, com a taxa de juros básica, cada vez mais pessoas têm buscado diversificar sua carteira de investimentos.

Em 2020, por exemplo, a B3, a bolsa de valores do Brasil, atingiu 3,2 milhões de investidores - um número 92% maior que a entrada de investidores no ano anterior.

Por mais que seja um dado extremamente positivo, este número representa apenas 3% da população brasileira

Claro que o mercado de ações não é a única forma de montar um portfólio de investimentos. É possível considerar opções que dão uma garantia mais segura de retorno, a chamada renda fixa, que inclui Tesouro Direto, CDBs, contas digitais com rendimento acima do CDI, entre outros (que iremos detalhar ainda neste artigo).

Mas, antes mesmo de definir a melhor aplicação para o seu dinheiro, é necessário criar o hábito de poupar. E isso começa aos poucos.

Se você conseguiu cortar os gastos de forma que tenha uma boa gordurinha no final do mês, vale a pena encarar o investimento como se fosse uma ‘dívida’ na sua planilha. Você pode programar uma transferência automática do seu banco, por exemplo, para a conta em que você investe. Ou, se preferir, comprar algum produto de investimento do próprio banco.

Digamos que você tenha um rendimento mensal de R$ 5.000 mas, no primeiro mês após terminar de pagar as dívidas, só conseguiu guardar R$ 50. Já é um ótimo avanço! Você pode manter este dinheiro até mesmo na sua poupança antes de decidir de que forma investir, para adquirir mais volume.

Se necessário, reduza ainda mais os seus gastos mensais, para que consiga guardar um volume superior. 

Especialistas em finanças pessoais recomendam guardar pelo menos 10% dos seus rendimentos mensais com a finalidade de investir. Ainda utilizando o exemplo do salário de R$ 5.000, significaria guardar R$ 500 todos os meses.

Caso seus gastos mensais sejam reduzidos, o ideal é guardar um valor ainda maior, para que consiga atingir seus objetivos. Pegue o exemplo de um estudante que tem um alto salário, mas não tem despesas com moradia e alimentação, porque mora com os pais. Trata-se de um exemplo de profissional que possui as condições para juntar um percentual maior, caso consiga se organizar.

Para que consiga fazer o uso do dinheiro de maneira inteligente, é preciso identificar como diversificar seus investimentos. Antes disso, porém, é preciso se atentar a um detalhe extremamente importante: a reserva de emergência.

Monte a sua reserva de emergência

Todos precisam de segurança quando o assunto é estabilidade financeira. Por mais que um bom salário ajude com as despesas do dia a dia e até mesmo a ter algumas conquistas, gastar todos os meses aquilo que se ganha não representa nenhum tipo de segurança. Dessa forma, você pode ficar à mercê de fatores externos que não pode controlar, como a diminuição dos seus rendimentos, a perda de emprego ou até mesmo lidar com uma situação adversa que comprometa todo o seu rendimento mensal de uma vez.

A melhor forma de se ter uma segurança é montar a sua reserva de emergência. A reserva representa um valor pelo menos seis vezes superior ao valor que você gasta mensalmente.

Ainda no exemplo da pessoa que ganha R$ 5.000. Digamos que, mensalmente, ela gaste R$ 3.500, para que consiga lidar com as contas do dia a dia, que envolvem aluguel, compras de casa, fatura de cartão de crédito etc. Para que essa pessoa tenha uma boa margem de segurança, o ideal é que tenha seis vezes os gastos mensais como reserva - que, no caso, daria R$ 21 mil.

O ideal é que a reserva de emergência fique em uma conta de fácil resgate, para que possa ser sacada sem nenhum tipo de problema.

Por mais que a poupança seja o produto financeiro mais conhecido dos brasileiros, existem outras opções para deixar a sua reserva, como contas digitais que rendem mais que o CDI, por exemplo. Caso opte por um produto de renda fixa, que dá previsão de rentabilidade, fique atento ao vencimento do produto - especialmente se for Tesouro Direto.

O importante é que a sua reserva de emergência possa ser resgatada em momentos difíceis, sem causar nenhum tipo de prejuízo. 

Para montar a sua reserva, você pode encará-la como uma dívida: liste na sua planilha de gastos mensais o valor mensal destinado à sua reserva. Você pode até mesmo programar algumas transferências pela conta do seu banco, se precisar. E, se achar que precisa de um valor superior à recomendação de seis vezes os gastos mensais, melhor ainda. Assim, você fica mais preparado para lidar com algum tipo de dificuldade financeira.

Lembrando que, caso precise utilizar parte deste dinheiro para alguma eventualidade, não esqueça de repor. Pense sempre em um teto mínimo ideal para a sua reserva. Assim, você não permite que seus recursos ‘esvaziem’ sempre que lidar com algum tipo de imprevisto.

Depois que você montar a sua reserva de emergência, você já pode traçar os seus objetivos do que conquistar com o seu dinheiro. Veja algumas dicas.

Use sua renda para conquistar seus objetivos

Agora que você já tem a sua reserva de emergência, não pode deixar de lado o hábito de poupar.

Claro que, para poupar, é preciso ter objetivos em mente. Digamos que queira comprar uma casa na praia, por exemplo. Se você já tem uma moradia, por que se apressar para fazer esse tipo de investimento?

Uma boa forma de dar o primeiro passo é por meio do consórcio. 

Diferente do financiamento, por exemplo, você não sai com o bem na hora, mas pode se organizar para pagar pelo seu novo imóvel, sem ter que dar entrada ou pagar juros.

Além do mais, você pode definir o valor do bem que deseja adquirir ao selecionar a carta de crédito. O recomendado é fazer uma pesquisa inicial do valor do bem que deseja comprar. Então, você pode inserir este valor como total de carta de crédito e dividir pela quantidade ideal de parcelas.

O valor da parcela de consórcio não pode ultrapassar 30% dos rendimentos mensais. No exemplo de alguém que recebe R$ 5.000, o valor máximo deve ser de R$ 1.500 por mês para essa finalidade.

Além do consórcio de imóveis, você também pode aproveitar as vantagens da modalidade para trocar o seu carro (ou comprar um novo), iniciar o pagamento daquela moto que sempre quis para fazer passeio ou até investir em um tipo de serviço importante, que vai unir ainda mais toda a família - uma viagem ao exterior ou uma festa de confraternização, entre outras possibilidades - por meio do consórcio de serviços.

Vale a pena incluir o consórcio como um tipo de investimento porque você não fica descapitalizado e pode se organizar para iniciar a compra de um bem de alto valor de forma segura e totalmente planejada. É você que determina o que comprar e, se quiser ser contemplado de forma antecipada, pode guardar dinheiro para ofertar o lance.

Embora seja importante planejar a compra de bens e aumentar o patrimônio, também é preciso considerar a amplificação dos seus investimentos. Entra aí o fator diversificação, extremamente importante para elevar seu patrimônio. Vamos explicar a seguir.

Como diversificar meus investimentos

Por mais que a poupança seja a forma mais conhecida de se guardar dinheiro, é preciso considerar outras formas de multiplicar o seu dinheiro.

Mas, antes de entrarmos nesse detalhe, você sabe por que a poupança é cada vez mais desestimulada pelos especialistas em finanças pessoais?

O motivo é bem simples: seu rendimento é bem menor que a inflação anual.

Quando se vê no noticiário que a inflação chegou, por exemplo, a 5%, significa que, comparado ao ano anterior, o dinheiro que se tem hoje vale 5% menos que no ano passado. Tudo isso por conta de uma correção que acontece em relação aos preços e serviços, que é medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Se um conjunto de preços aumenta de forma significativa ao longo do ano, é feita uma correção para o ano seguinte, para que o valor do real esteja em paridade com diversos fatores econômicos. 

Em março de 2020, a poupança tem rendido em torno de 2% ao ano, um percentual inferior até mesmo à taxa básica de juros, a Selic, que está em 2,75% ao ano.

Por isso mesmo, deixar dinheiro na poupança pode até dar um rendimento positivo quando você olha os valores. Mas a correção é inferior à taxa de juros básica e à inflação, o que significa que o rendimento é insuficiente diante da desvalorização do seu dinheiro.

A melhor forma de conseguir diversificar seus investimentos é dedicar um bom tempo e energia para aprender mais sobre educação financeira.

O uso inteligente do dinheiro é extremamente importante para que as pessoas tomem melhores decisões de compra e sejam menos impactadas diante de fatores externos. Pela educação financeira, além de identificar como usar melhor os rendimentos, as pessoas também aprendem a como diversificar da melhor forma.

Antes de entender quais produtos adquirir, o primeiro passo é identificar o seu perfil de investidor. Quando você entra em uma corretora de investimentos, por exemplo, que facilita a compra de produtos financeiros para fazer o seu dinheiro render, a primeira etapa é responder uma série de perguntas para identificar o seu perfil. Veja os perfis existentes.

Perfil conservador

É o tipo de pessoa que preza mais pela segurança e busca uma forma de ter previsibilidade de retorno do seu investimento. Tem receio de perder dinheiro e opta pela estabilidade.

Quando as corretoras identificam esse tipo de perfil, sugerem a aplicação em renda fixa. Com menos de R$ 500, por exemplo, é possível comprar títulos do Tesouro Direto ou outras opções que contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como CDB, LCI e LCA. 

Isso garante ao investidor o retorno de até R$ 250 mil de seus investimentos, caso o banco venha à falência (por conta do Fundo Garantidor de Crédito).

Perfil moderado

Este é o perfil que opta por diversificar. Além de garantir parte de seu patrimônio em renda fixa, alguns investidores moderados começam a arriscar parte de seu dinheiro na renda variável, como mercado de ações, fundos de investimento, entre outros.

Os investidores de perfil moderado estão aptos a correr um pouco mais de risco, mas nada que possa comprometer os rendimentos mensais ou comprometer a segurança de toda a família.

Analistas financeiros recomendam que os moderados tenham de 10% a 40% de seu patrimônio em ativos da bolsa de valores, principalmente para ir aprendendo a investir.

Perfil agressivo

É o tipo de investidor que tem alta tolerância aos riscos. Sabe muito bem das oscilações do mercado e também utiliza parte de seu patrimônio para obter maior proporção de papéis, como ações, opções e câmbio.

Mesmo perfis mais arrojados sabem da importância da diversificação. Só que eles utilizam seu conhecimento de mercado para separar papéis em empresas com maior previsibilidade e outras mais arrojadas, para obterem fatia maior de lucro - incluindo operações arriscadas, como dólar futuro, compra de opções, bitcoins, entre outros.

Quais investimentos posso fazer com o meu dinheiro?

Identificar o seu perfil de investimento é extremamente importante, para que você considere os melhores produtos para fazer com que seu dinheiro renda mais.

Basicamente temos duas separações de tipos de investimento: renda fixa, que dá algum tipo de previsibilidade de retorno; e renda variável, que pode ser mais arriscada mas, também, oferece as melhores chances de se ganhar mais com as aplicações.

Confira os tipos de investimento, para que você possa se organizar e aplicar onde acredita que possa ser mais vantajoso para você.

Investimentos de renda fixa

Vamos apresentar as principais opções de investimento em renda fixa.

  • Tesouro Direto: uma das mais conhecidas formas de investir em renda fixa, o Tesouro Direto nada mais é que a compra de dívidas públicas. Você já pode começar com R$ 30. Só precisa ficar atento ao vencimento dos títulos. Por outro lado, conta com uma das formas mais seguras de alocar o seu dinheiro, com retorno previsível.
  • CDB: é uma forma de ‘emprestar’ dinheiro para os bancos. Os CDBs não oferecem grandes riscos e dão uma previsibilidade de retorno.
  • LCI e LCA: as chamadas letras de crédito estão atreladas a dois segmentos que têm proteção na economia brasileira: o setor imobiliário (LCI) e o setor de agricultura (LCA). São títulos isentos do imposto de renda, portanto, quem investe nesse tipo de investimento, recebe valor líquido dos rendimentos.
  • Fundo DI: uma boa opção para quem quer ter uma rentabilidade a partir da taxa de juros básica (Selic). A vantagem é que você pode resgatar a qualquer momento (o que torna uma boa opção para montar a sua reserva de emergência, por exemplo). Porém, a desvantagem é que não se trata de uma aplicação isenta do imposto de renda - cada resgate, por exemplo, precisa ser declarado à Receita Federal. Considere esta opção caso queira investir a médio e longo prazo.

Também existem outras opções, como debêntures (que são dívidas de empresas privadas, que devolvem seu valor com o acréscimo de juros), aplicação em ETFs de renda fixa, letras de câmbio e certificados de recebíveis do agronegócio e do setor imobiliário.

Investimentos em renda variável

Confira os principais tipos de investimento em renda variável.

  • Ações: a mais conhecida forma de aplicação em mercado variável. Você pode começar com pouco para entrar na negociação da bolsa de valores. Para isso, existem os lotes fracionários, que são os valores unitários de uma empresa. Para se ter uma ideia, existem empresas com valor fracionário menor que R$ 10, as chamadas small caps, que podem ser uma boa porta de entrada para investir.
  • Contratos futuros: é possível investir em garantia ao comprar bens a um preço pré-definido, como arrobas de milho, café, boi gordo e até moedas, como euro e dólar.
  • Opções: contratos de compra e venda que dão a possibilidade de adquirir aquelas ações no futuro com o mesmo preço de hoje.

Outros tipos de investimento em renda variável incluem ETFs, commodities e até mesmo o câmbio (compra do dólar hoje apostando em sua alta, por exemplo). Fundos imobiliários, diferentes tipos de fundo de investimento e até mesmo criptomoedas (como bitcoin) são ativos que muitos investidores experientes também consideram em seu portfólio.

E aí, já sabe por onde começar a investir? Caso queira se preparar ainda mais, veja nosso guia para investidores iniciantes.

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