Aumento de renda: tome cuidado com as finanças

Aumento de renda: tome cuidado com as finanças

Ao longo de nossas vidas, passamos por muitas fases. Todo começo de carreira, por exemplo, vem com o desafio de começar ganhando pouco, até que você possa adquirir mais experiência e, assim, subir progressivamente de cargo.

Pelo modelo ideal, você escolheria a profissão que desejaria exercer. Pode iniciar com um estágio, em que você precisa absorver todo o conhecimento com pessoas mais experientes, mesmo com uma remuneração baixa. Caso seja graduado, pode chegar ao seu primeiro cargo como analista e, assim, mostrar bom desempenho até conquistar cargos mais gerenciais.

Infelizmente, nem todas as pessoas têm a oportunidade de subir progressivamente dessa forma. Algumas áreas são mais competitivas, tornando a própria entrada no mercado de trabalho mais difícil.

Por outro lado, algumas pessoas entram no mercado de trabalho já pensando em sair dele, seja com a conquista de um novo negócio ou investindo em um empreendimento que possa ser tocado por funcionários. Outra forma de investir é aumentar o seu patrimônio, com a compra de um imóvel, por exemplo, e conseguir mais renda por meio do aluguel.

O fato é que, em nossas trajetórias, passamos por altos e baixos em nossas profissões. O efeito prático é que podemos aumentar a nossa renda em determinados momentos. Claro que esse é o objetivo da grande maioria das pessoas, para que possam realizar seus sonhos, como a compra da casa própria ou até mesmo um carro mais luxuoso.

Porém, quando se fala em aumento de renda, muitas pessoas acabam consumindo mais do que ganham. Com isso, elas podem se ver frustradas diante de uma possível perda posterior de renda. Dessa forma, não conseguem atingir seus objetivos e ainda podem ficar ‘arrependidas’ de não ter usado o dinheiro de forma mais inteligente.

Como proceder diante de um aumento de renda? Confira nossas dicas a seguir, para ter um planejamento financeiro melhor.

Comece o quanto antes o seu planejamento financeiro

Por mais que o aumento de renda seja uma consequência natural da sua vida profissional, o fato é que muitos brasileiros ainda têm dificuldades de lidar com o dinheiro.

Uma pesquisa realizada pela empresa de educação financeira Leve revelou que mais de 52% dos brasileiros não conseguem se organizar financeiramente para atingir metas de médio e longo prazo. Embora muitos citem o baixo orçamento como o principal entrave, mesmo entre as pessoas que ganham um pouco a mais o planejamento financeiro acaba sendo uma barreira.

Felizmente, é possível criar hoje mesmo o seu planejamento financeiro, sem a necessidade de intermediários ou de alguma plataforma paga.

Se você passou a ganhar mais, comece o quanto antes a traçar o seu planejamento, para não gastar ainda mais e, lá na frente, ver-se frustrado porque deixou de aproveitar uma boa oportunidade. Confira nossas dicas de planejamento financeiro a seguir.

Saiba quanto ganha e quanto gasta

A primeira coisa que você deve fazer é saber o quanto ganha e o quanto gasta mensalmente. Pode parecer uma dica simplória, mas o simples fato de acompanhar todas as suas movimentações financeiras pode dar um bom panorama da sua situação.

É possível contar com uma planilha, que pode ser utilizada de graça (como Google Planilhas ou Excel, por exemplo), ou até mesmo um aplicativo especializado em finanças pessoais, em que você autoriza o acesso às suas contas corrente e faturas de cartão de crédito para que possa ter controle de seus gastos.

De início, até mesmo o bom e velho caderninho pode cumprir essa importante função. A partir do momento que se sabe o quanto se gasta mensalmente, você consegue identificar um padrão, se programar melhor e, assim, traçar planos de ação mais efetivos para as suas finanças.

Utilize uma planilha de controle

Por mais que você recorra a apps de finanças pessoais, ter uma planilha para controle ainda tem a sua importância. Isso porque ela te dá a autonomia de criar um planejamento da sua forma e controlar os seus gastos.

Não precisa ser o gênio do Excel para ter uma planilha financeira - aliás, existem outros apps e programas para isso, como Google Planilhas e Números (para quem utiliza iOS), que também são gratuitos.

Você pode baixar modelos prontos na internet que ajudam a controlar suas finanças ou até mesmo criar uma do zero, bem simples, listando apenas os seus gastos e o valor que ganha mensalmente. Neste caso, você pode separar os meses por abas, para que consiga planejar a curto, médio e longo prazo como utilizar o seu dinheiro da melhor forma.

É possível separar seus gastos em:

  • Gastos correntes: que são os gastos obrigatórios todos os meses, como pagamento de aluguel (caso não tenha casa própria ou apartamento), água, luz, prestação do carro, gás etc.

  • Gastos variáveis: são os gastos que não são ‘obrigatórios’ mas, ainda assim, fazem parte do nosso orçamento mensal, como valor de supermercado (que pode variar de um mês para o outro), TV a cabo, internet, assinaturas de serviços etc.

Caso utilize o cartão de crédito, o recomendado é distinguir todos os valores em sua planilha. Isso porque é muito fácil perder o controle de seus gastos com o cartão, já que muitas vezes as pessoas olham apenas o valor da fatura.

Mais importante do que manter o pagamento da fatura em dia é entender o que compõe esses gastos. Se tem o costume de parcelar compras grandes, por exemplo, mencione em sua planilha, porque isso também afeta o seu orçamento.

Corte gastos supérfluos

Com a sua planilha criada, fica mais fácil saber o que está comprometendo mais do seu orçamento. Caso tenha necessidade de cortar gastos, dê uma boa olhada em seus gastos variáveis. Muitos deles podem ser supérfluos.

Para que consiga cortar algum tipo de gasto, você precisa estar preparado para mudança de hábito. Por exemplo, se costuma tomar o seu cafezinho na padaria quando vai ao trabalho, que tal comprar as coisas para fazer e tomar em casa? Vale o mesmo para as demais refeições: opte por marmitas, em vez de sair para comer em restaurantes em dias de semana. E, se precisar cortar ainda mais, diminua os gastos de fim de semana: em vez de pedir pizza todas as sextas, que tal a cada 15 dias?

Entenda que essas mudanças devem ser feitas de forma sutil. Por mais emergencial que seja a situação, é preciso tomar cuidado com qualquer mudança brusca. Além de gerar mais frustração, pode não trazer o resultado esperado. Ou seja, você pode até cortar tudo de uma só vez. Porém, isso pode fazer falta e, quando você tiver algum tipo de deslize, pode voltar a gastar tudo de novo - ou até mais, principalmente se tiver um aumento de renda.

Portanto, converse com todas as pessoas de sua família e criem, um conjunto, uma nova forma de lidar com os seus gastos. Se a TV a cabo é importante para os filhos, por exemplo, não vale a pena reduzir o pacote em vez de cortar de uma vez? Vale o mesmo para serviços de streaming, por exemplo, ou até mesmo o pacote de internet.

Entenda qual a melhor forma de reduzir os custos, sem que se torne um exercício sofrido para as pessoas envolvidas.

Faça seu dinheiro ‘sobrar’ no fim do mês

Com o corte em seus gastos, espera-se que sobre mais dinheiro no fim do mês. Por mais que sobre um valor pequeno, vale a pena planejar uma forma de utilizá-lo.

Para isso, vale a pena abrir uma conta apartada de sua conta corrente. Existem bancos digitais com rendimento de mais de 100% acima do CDI, com rentabilidade maior que a poupança, por exemplo.

Se quiser, pode adotar uma estratégia ainda mais efetiva para guardar dinheiro. Determine um valor para transferir automaticamente para essa conta, como se fosse uma ‘dívida’. Dessa forma, você vai se sentir forçado a guardar dinheiro e, assim, atingir seus objetivos.

Mas, antes mesmo de pensar em gastar ou aplicar em algum tipo de investimento, é importante preparar a sua reserva de emergência.

Dê início à sua reserva de emergência

Todos os especialistas em finanças pessoais recomendam às pessoas manter a sua reserva de emergência. Trata-se de um dinheiro que deve ficar apartado de sua conta corrente.

A reserva de emergência geralmente é composta por seis vezes ou mais o seu salário mensal. Por exemplo, se a sua família tem à disposição em torno de R$ 10 mil por mês, uma boa reserva de emergência deve ser de pelo menos R$ 60 mil.

Quanto mais você conseguir guardar como sua reserva, mais seguros você e sua família ficarão diante de qualquer tipo de adversidade, como perda de renda, desemprego ou situações de doença grave na família. Vale lembrar que o dinheiro de sua reserva deve ser mantido em uma conta de fácil resgate, afinal, o valor serve para lidar com imprevistos que fogem do nosso planejamento.

Portanto, assim que conseguir guardar dinheiro mensalmente, priorize a sua reserva de emergência antes de qualquer tipo de consumo ou aplicação. Com segurança, você se sentirá mais confortável para utilizar o seu dinheiro de forma mais inteligente.

Ganho mais, e agora?

É ótimo quando ganhamos uma promoção no nosso trabalho ou, em caso de autônomos e empreendedores, o negócio dá claros sinais de melhora, fazendo com que a renda mensal aumente.

Porém, é preciso tomar alguns cuidados, para que você não gaste mais do que deveria e fique impedido de atingir seus objetivos. A seguir, vamos trazer algumas dicas para deixar as finanças nos eixos com o aumento de renda.

Mantenha os mesmos hábitos de consumo

Um dos maiores erros de pessoas que passam por aumento de renda é querer determinar um novo padrão de consumo.

Claro que, quando se ganha mais, espera-se ‘curtir’ mais. Aliás, é importante que se destine parte de seus rendimentos para viajar mais, sair aos finais de semana e até mesmo comprar coisas que considera importantes.

O problema está nos excessos. Pode parecer difícil calcular quanto a mais você poderia gastar, sem colocar seu orçamento em prejuízo. Mas, com a ajuda de uma planilha, tudo isso pode ser controlado de forma fácil.

Antes de pensar em gastar mais, entenda quanto consegue juntar mensalmente com o que ganhava. O ideal é que consiga, pelo menos, destinar um percentual equivalente após o aumento da sua renda.

Porém, não pare por aí. Tente aumentar o percentual destinado a poupar o dinheiro, mesmo que já tenha atingido o valor ideal de reserva de emergência. Dessa forma, você conseguirá atingir seus objetivos mais rapidamente.

Cuidado com limite de cartão de crédito

O cartão de crédito pode ajudar muitas pessoas a lidar com alguns tipos de gastos, principalmente compras de alto valor. E, com o aumento de renda, muitas instituições financeiras ficam tentadas a oferecer um limite maior - o que pode permitir ainda mais compras em sua fatura.

Avalie com cuidado o aumento de limite. Ele pode ser importante para compras de bens mais caros mas, se não for administrado com cuidado, pode muito bem deixá-lo com as finanças ainda mais apertadas.

Mantenha o controle dos gastos de cartão de crédito e tente aumentar o limite na proporção do aumento dos seus rendimentos. Crie o hábito de usá-lo somente para parcelamento de grandes compras ou outras situações em específico, para evitar qualquer tipo de descontrole.

Determine um objetivo para as suas finanças

Por mais que o dinheiro seja importante para todas as nossas conquistas, é sempre importante se perguntar: por que estou juntando dinheiro?

Além de ter a sua reserva de emergência, é preciso traçar planos para o que deseja comprar no futuro. Para isso, converse com todos os integrantes da família.

Ao mesmo tempo em que é importante investir na educação dos filhos, por exemplo, também é necessário sair do aluguel ou até mesmo ter à disposição um carro mais novo, que não dê tantos problemas mecânicos.

Crie uma ordem de prioridade. E não dependa apenas do ‘dinheiro à vista’ para concretizar esses objetivos. Você pode contar com o consórcio, por exemplo. Sem a necessidade de pagar entrada ou juros nas mensalidades, você determina o valor da carta de crédito e participa das assembleias, onde pode ser contemplado com o bem de duas formas: por meio dos sorteios ou com a oferta de um lance.

Veja o que é prioritário e determine objetivos de curto, médio e longo prazo para as suas finanças. É possível manter o controle e economizar com a compra de um bem, principalmente se considerar o consórcio para esse tipo de aquisição.

Não esqueça da sua reserva de emergência

A partir do momento em que se ganha mais, não se esqueça que contará com um valor maior para lidar com as despesas mensais.

Por isso mesmo, é importante atualizar o valor da sua reserva. Se antes você considerou um salário de R$ 10 mil, mas conseguiu chegar a uma renda mensal de R$ 15 mil com a família, então o valor ideal de reserva passa de R$ 60 mil para R$ 90 mil.

Mantenha a mesma conta como reserva e destine o dinheiro necessário, para que tenha uma segurança a mais diante de qualquer tipo de adversidade.

Invista em educação financeira

Quando se ganha mais, é importante conhecer com mais profundidade sobre investimento. E, para iniciar, o primeiro passo é investir em sua educação financeira.

Por conta das redes sociais, o conhecimento sobre educação financeira é mais fácil de ser encontrado. Porém, cuidado com os falsos ‘gurus’, que prometem rendimentos altos com pouco investimento ou de forma fácil. Muitos deles propagam dicas falsas com o objetivo de vender cursos, que podem não ser efetivos para você.

Procure por livros sobre finanças pessoais e siga alguns influenciadores conhecidos, que têm credibilidade quando o assunto é poupar dinheiro. Você também pode realizar alguns cursos na área, principalmente se quiser dominar assuntos como renda variável.

Com educação financeira, você aprenderá como poupar de forma mais efetiva e fazer com que o seu dinheiro ‘trabalhe’ para você a curto, médio e longo prazo.

Como investir melhor o meu dinheiro

Não importa o quanto você ganha: quanto antes aprender a poupar e até mesmo investir o seu dinheiro, maiores são as chances de aumentar o seu patrimônio e atingir seus objetivos.

Com o aumento de renda, você pode ter à disposição um valor mais elevado para investimento - o que, na prática, pode significar mais retorno.

Antes mesmo de pensar em aplicar o seu dinheiro, é importante montar a sua reserva de emergência e investir em sua educação financeira, para que consiga dar os primeiros passos e evoluir na sua trajetória como investidor.

Confira nossas dicas a seguir.

Saiba seu perfil de investidor

Antes de pesquisar sobre as melhores formas de investimento, é importante exercitar o autoconhecimento. Afinal, qual o seu perfil de investidor?

Muitas corretoras aplicam um questionário inicial, com perguntas sobre seu hábito de poupar, educação financeira e até mesmo faixa salarial, para classificar o seu tipo de investidor. Atualmente, existem três opções:

  • Perfil conservador: é o tipo de pessoa que preza mais pela segurança. Tem receio de perder dinheiro e opta pela estabilidade. Quando as corretoras identificam esse tipo de perfil, sugerem a aplicação em renda fixa. Com menos de R$500, por exemplo, é possível comprar títulos do Tesouro Direto ou outras opções que contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como CDB, LCI e LCA. Isso garante ao investidor o retorno de até R$ 250 mil de seus investimentos, caso o banco venha à falência.

  • Perfil moderado: este é o perfil que opta por diversificar. Além de garantir parte de seu patrimônio em renda fixa, alguns investidores moderados começam a arriscar parte de seu dinheiro na renda variável. Analistas financeiros recomendam que os moderados tenham de 10% a 40% de seu patrimônio em ativos da bolsa de valores, principalmente para ir aprendendo a investir.

  • Perfil arrojado ou agressivo: é o tipo de investidor que tem alta tolerância aos riscos. Sabe muito bem das oscilações do mercado e também utiliza parte de seu patrimônio para obter maior proporção de papéis, como ações, opções e câmbio. Mesmo perfis mais arrojados sabem da importância da diversificação. Só que eles utilizam seu conhecimento de mercado para separar papéis em empresas com maior previsibilidade e outras mais arrojadas, para obterem fatia maior de lucro.

Independente do seu perfil, é importante pensar na diversificação dos seus investimentos. Enquanto conservadores tendem a priorizar renda fixa, que dão mais ‘garantia’ de retorno, os perfis moderados e agressivos aumentam sua exposição na renda variável.

Mas, você sabe qual a diferença entre cada um deles? Iremos explicar, confira.

Invista em renda fixa

A renda fixa é a opção mais recomendada para quem está começando a investir, porque permite saber qual será sua rentabilidade no prazo determinado para investir.

Quando você investe em títulos do governo (como Tesouro Direto), você já consegue saber o quanto terá de lucro e quando poderá retirar o seu dinheiro. Quanto maior for o prazo do investimento, maior deve ser a taxa de remuneração nesse tipo de investimento.

O desempenho dos papéis de renda fixa depende das variações de índices de juros, como IPCA, CDI e a taxa Selic. Com a taxa Selic acima de 12%, por exemplo, esse tipo de produto acaba sendo mais atrativo do que a renda variável.

Os principais investimentos de renda fixa são Tesouro Direto, CDBs e a própria poupança. Por conta da previsibilidade, os ativos de renda fixa são considerados conservadores e de baixo risco.

Entenda o melhor momento de investir em renda variável

Muito provavelmente você já ouviu falar em investir em ações da Bolsa de Valores, certo? Este é um dos famosos exemplos de renda variável, em que não dá para prever muito bem o desempenho dos ativos. Porém, quando se ganha, o lucro tende a ser maior.

É preciso conhecimento em educação financeira para aplicar seu dinheiro na Bolsa ou em outros produtos, como fundos imobiliários, dólar futuro ou até negociação de preços de commodities (petróleo, café, soja, ouro etc).

Com paciência, conhecimento e muita determinação, você pode fazer com que o aumento de sua renda se materialize na constituição de um patrimônio mais elevado e, assim, atingir seus objetivos mais rapidamente.

Para mais dicas de finanças pessoais, acompanhe o blog da Embracon.

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