Como funciona a devolução de valores no consórcio?

Como funciona a devolução de valores no consórcio?

Antes de começar a fazer o consórcio, muitas pessoas têm em mente o bem final que desejam obter. Afinal, diferentemente do financiamento, em que é preciso dar entrada e pagar juros, pelo consórcio você paga o preço mais justo possível a prazo.

Sim, o consórcio é uma modalidade mais barata de compra parcelada, mas é preciso de planejamento. Uma de suas maiores vantagens é permitir que o consorciado defina o preço da mensalidade, a quantidade de parcelas e a escolha do bem que deseja.

Isso porque, no fim das contas, ao fechar um contrato de consórcio você está investindo na carta de crédito, que é o valor equivalente ao bem que você deseja. Para evitar que você saia prejudicado por ter que ficar meses ou até anos pagando por uma cota, a carta de crédito passa por correções, que levam em conta a inflação anual. Dessa forma, o valor da sua carta não é prejudicado com a desvalorização do real, que é corrigido anualmente.

Como se pode perceber, o consórcio é uma modalidade que possui muitas vantagens, e precisa de planejamento para que realmente ajude o consorciado a atingir seus objetivos. Dependendo do bem em que está investindo, o consorciado pode passar anos pagando por uma cota, que pode ser contemplada somente nos últimos meses de pagamento.

Por isso, quanto mais você entender sobre como funciona a modalidade, menores são as suas chances de ter algum tipo de frustração durante o pagamento.

Por outro lado, é sabido que a situação financeira de alguém que está pagando pelo consórcio pode passar por diversas reviravoltas. A pandemia de Covid-19 é um grande exemplo: muitos postos de trabalho foram prejudicados, aumentando ainda mais o índice de desemprego no país.

Ou seja, se há três anos um consorciado planejava a compra de um imóvel, mas passou pela situação complicada de perda de renda ou até mesmo do emprego, pode ser que o pagamento de uma cota não faça mais tanto sentido - pelo menos, não até a situação se estabilizar novamente.

Quando esse tipo de situação acontece, o que fazer? É possível pedir o dinheiro do consórcio de volta? Vamos explicar como funciona a seguir.

O que acontece ao desistir do consórcio?

Uma consequência provável de quem está passando por alguma dificuldade financeira é procurar a desistência do consórcio. Afinal, é preciso priorizar o bem-estar de toda a família e garantir que os rendimentos mensais estejam alinhados ao objetivo de cada um.

Por mais que momentos delicados levam algumas pessoas a repensar o consórcio, a modalidade possui regras bem específicas quando o assunto é quebra de contrato.

De acordo com regulamento do Banco Central do Brasil (Bacen), responsável por todo o segmento de consórcio, a desistência do consórcio representa uma quebra de contrato. Por conta disso, é aplicada uma multa pela desistência.

Ou seja, por conta dessa quebra, se você pretende desistir, receberá um valor inferior ao que pagou por sua cota.

Quando você faz a solicitação do cancelamento, a administradora faz esse cálculo e informa o quanto você terá a receber por conta da desistência.

Mas, e quanto ao recebimento do valor? Como funciona? Vamos explicar os detalhes.

O que é e como funciona a devolução do meu dinheiro no consórcio

Antes de fechar o contrato de consórcio, é preciso selecionar o valor da carta de crédito, o valor da mensalidade e a quantidade de parcelas para o bem que deseja comprar.

Por conta do simulador de consórcio, é fácil ter essa definição. Assim, você tem controle do quanto precisa dedicar mensalmente para a realização do seu sonho.

Ao solicitar o valor para devolução, a base é a quantidade que já foi paga à administradora até o momento. Dessa base é extraído o valor da multa por conta da quebra de contrato.

Depois dessa etapa, a administradora realiza todos os trâmites necessários para a devolução. Funciona da seguinte forma: mesmo cancelada, sua cota continua participando dos sorteios mensais, agora como cancelada, para que assim que sorteada possa receber os valores com as devidas deduções contratuais (taxas administrativas e multa contratual). A devolução de valores poderá ocorrer até a última assembleia de seu grupo.

Ou seja, da mesma forma que você precisa participar dos sorteios mensais para ser contemplado com o seu bem, o grupo de consórcio também faz um sorteio das cotas canceladas, para a devolução do seu dinheiro.

Essa regra é válida para todas as administradoras - que, antes, precisavam aguardar o encerramento do grupo para fazer as devoluções dos desistentes.

Portanto, ao solicitar a desistência de um consórcio, é preciso acompanhar os sorteios das cotas canceladas. O valor a ser devolvido já desconta a multa por conta do cancelamento.

Mas, por que é preciso esperar para receber meu investimento de volta? Vamos explicar todos os detalhes a seguir.

Por que preciso pagar multa ao desistir do consórcio

O consórcio é uma forma de autofinanciamento para a compra do bem que deseja, como um carro, casa, apartamento, moto ou algum tipo de serviço

Para que essa modalidade funcione, ela conta com o comprometimento integral de todos os seus participantes.

Ou seja, é necessário pagar as mensalidades na data correta de vencimento, para que possa participar dos sorteios mensais ou até mesmo ter a possibilidade de fazer a oferta de um lance, em busca de ser contemplado com antecedência.

Ao contribuir com a sua mensalidade, você contribui para que o grupo de consórcio tenha os recursos suficientes para a entrega das cartas de crédito todos os meses.

Ou seja, esse fundo comum precisa da contribuição de cada integrante, para não correr o risco de ter saldo insuficiente para a entrega das cartas.

Como forma de ter essa garantia, as administradoras também fazem a cobrança do fundo de reserva, já inclusa na mensalidade. É um percentual baixo, de menos de 3%, mas que dá mais segurança aos grupos, para que possam prosseguir com as contemplações.

Quando um integrante do grupo deixa de contribuir com a sua mensalidade, está colocando em risco os demais integrantes, que dependem da sua contribuição para pagar os valores das cartas de crédito. Por conta desse risco, a administradora estipula desde o início que o cancelamento da cota representa uma quebra de contrato.

E, como a administradora precisa assegurar que cada integrante tenha as mesmas chances de ser contemplado, precisa repassar esse risco para o consorciado que busca a desistência.

Por mais que você esteja em algum momento difícil após ter iniciado o pagamento da sua cota, o recomendado é procurar outras opções antes de prosseguir com o cancelamento.

Vamos mostrar quais são as opções para evitar a sua desistência total do consórcio.

Não consigo mais pagar o consórcio. Quais são as minhas opções?

Como já explicamos, a desistência do consórcio, embora seja considerada por quem esteja passando por algum tipo de dificuldade financeira, pode levar à frustração de ter que esperar pela contemplação da cota cancelada, já com desconto da multa por quebra de contrato.

Pode acontecer de se ter mudança de planos no meio do caminho ou ser pego desprevenido com a perda de renda, principalmente em tempos tão complicados como o da pandemia de Covid-19.

Porém, vale a pena avaliar outras opções sobre o que fazer com a sua cota. Confira as principais.

Diluir o valor das parcelas

Quando você decide pagar pelo consórcio, na verdade está investindo no valor de uma carta de crédito, que deve ser utilizada para a aquisição do bem que você selecionou.

Isso significa que, contanto que você permaneça investindo na carta de crédito, é possível fazer algum tipo de reajuste no valor das mensalidades, aumentando o prazo de pagamento. Como o consórcio não tem juros, como acontece com o financiamento, essa medida pode ajudar bastante você a se manter nos trilhos e continuar investindo em seus sonhos.

Para isso, converse com a administradora sobre as possibilidades de diminuir o valor das mensalidades, de forma que não comprometa seus rendimentos mensais.

Diminuir o valor da carta de crédito

Se diluir o valor das parcelas para uma maior quantidade de mensalidades não funcionar, outra opção é tentar alterar o valor da sua carta de crédito.

Como o consórcio é um modelo de negócio baseado na coletividade, ou seja, é preciso que várias pessoas sigam um acordo para seu pleno funcionamento, na maioria das situações é preciso consultar as regras do grupo para prosseguir com a diminuição da sua carta.

Solicitar transferência da cota

Caso a situação esteja muito difícil para o pagamento da sua carta de crédito, uma alternativa mais vantajosa que o cancelamento é a transferência da sua cota para outra pessoa.

Funciona da seguinte forma: você indica alguém que tem interesse em comprar a sua cota, faz a negociação em busca de compensar os valores que você já pagou, e pede para que a administradora faça o andamento da transferência.

Nesses casos, é indicado que você faça a negociação com um familiar ou conhecido. A administradora cuida para que todo o processo seja transparente. Portanto, mostra a quantidade de mensalidades pagas, o saldo devedor da cota, se existem dívidas ou não, entre outros detalhes.

Para realizar a transferência, é preciso pagar uma taxa para a administradora, que faz um novo processo de validação dos dados, comprovação de renda e pedido de documentações. Afinal, o novo consorciado será o responsável pela cota, e precisa estar ciente dos direitos e deveres que tem enquanto faz o pagamento pela carta de crédito.

A transferência de cota pode ser um ótimo negócio para ambas as partes: para o antigo consorciado, que pode passar para frente uma dívida com a qual não quer ou não pode mais se comprometer; e para o novo interessado que, ao pegar uma cota já iniciada, têm maiores chances de ser contemplado sem ter que esperar tanto.

Vale lembrar que a transferência só é possível para cotas que ainda não foram contempladas. Caso já tenha sido contemplado e esteja desfrutando do bem, é preciso entrar em contato com a administradora para verificar as suas opções.

Colocar a sua cota no mercado

Caso não tenha nenhum amigo ou familiar para indicar a transferência da sua cota, a administradora trabalha com a possibilidade de colocar a sua cota no mercado.

O que isso significa? Bom, que um interessado possa comprar a sua cota em andamento e colocar em seu nome.

Nesse caso, a administradora cuida para que todo o processo seja o mais transparente possível. Como você estará transferindo para uma pessoa desconhecida, a administradora pede que parte desse processo seja feito com assinatura reconhecida em cartório, com conhecimento de ambas as partes.

Vale lembrar que a taxa de transferência é cobrada do atual proprietário da cota - ou seja, quem deseja colocá-la no mercado.  

A vantagem é que você pode receber o valor pago mais rapidamente do que esperar o sorteio das cotas canceladas mensalmente.

Como se organizar antes de fechar um contrato de consórcio

É extremamente importante ter planejamento antes de dar início a um consórcio. Você terá que se comprometer por meses, ou até anos, dependendo do tipo de produto que deseja comprar.

Claro que isso traz inúmeras vantagens para o interessado. Você não precisa se comprometer com valor de entrada e nem pagar juros pelas parcelas, como acontece com outras modalidades. Além disso, é você que define o valor que pretende investir para o bem, define o valor das mensalidades e, depois de ser contemplado, até mesmo o momento mais oportuno para a sua compra.

Para que você possa se manter seguro ao investir em um consórcio, vale a pena seguir boas práticas de educação financeira e se preparar para a realização do seu sonho. Confira a seguir.

Faça um bom planejamento financeiro

Por mais que você não precise de um valor de entrada, ter um bom planejamento financeiro pode ajudar muito ao lidar com o consórcio nos seus rendimentos mensais.

Além de garantir segurança para as suas finanças, um bom planejamento ajuda a ter uma relação melhor com o seu dinheiro.  

Mas, como fazer isso?  

Primeiramente, anote todos os gastos mensais em uma planilha ou com a utilização de algum aplicativo de finanças pessoais. Entenda tudo o que entra e sai: você deve mais do que realmente ganha? Se este for o seu caso, a primeira medida é se organizar para diminuir custos desnecessários, quitar dívidas e abrir mão de pequenos luxos, para que seu orçamento fique devidamente ajustado.

Quando finalmente encontrar esse equilíbrio, se organize para montar a sua reserva de emergência. Isso pode demorar um tempo, afinal, uma reserva representa cerca de seis vezes o total necessário para pagar as contas básicas em um mês. Se a sua família gasta, em média, R$ 5 mil por mês para pagamento de contas, moradia, compras de casa, entre outros gastos correntes, o ideal é que sua reserva de emergência seja de, no mínimo, R$ 30 mil.

Por isso, é preciso muita disciplina para conseguir juntar este valor. Estipule metas mensais para guardar dinheiro: você pode começar com pouco, com R$ 100, e ir aumentando, até atingir de 10% a 20% dos seus rendimentos para guardar este dinheiro.

Quando se tem uma boa reserva, você e sua família terão mais segurança para dar o primeiro passo na conquista do que realmente importa. Enquanto você se organiza para a sua reserva, pode dar início ao pagamento do consórcio - lembrando que, por contrato, a mensalidade não pode ser 30% superior aos rendimentos mensais. Essa medida ajuda você a se organizar e a administradora a não correr riscos de inadimplência.

Fazer um seguro de consórcio

Caso queira evitar qualquer tipo de surpresa indesejável enquanto estiver realizando o pagamento da sua cota, uma boa medida é contratar o seguro para as parcelas.

Com um pequeno acréscimo na sua mensalidade, o seguro pode trazer boas vantagens. Em sua modalidade mais clássica, ele permite o pagamento de até 6 mensalidades por ano em casos de desemprego e invalidez temporária.

Caso tenha que pagar por anos por uma cota de consórcio de imóveis, por exemplo, esse seguro pode ser renovado um ano após a sua utilização, ou seja, não fica condicionado a um único uso.

Em casos mais graves, como a morte do dono da cota, a família tem direito ao valor da carta de crédito de forma integral, sem precisar pagar o saldo devedor.

Portanto, antes mesmo de fechar o contrato de consórcio, converse com a administradora, para entender as possibilidades de seguro e como isso pode se encaixar no pagamento das mensalidades. Dessa forma, você garante a realização do seu sonho sem se preocupar com as adversidades do futuro.

Organize-se para os lances

Caso você tenha um bom planejamento financeiro, vale a pena considerar o momento em que dará o lance no seu consórcio.

Não precisa ter pressa para isso. Enquanto paga as mensalidades e participa dos sorteios mensais - que também podem dar a chance de contemplação - você pode reservar parte dos seus rendimentos mensais para juntar este valor.

O lance é um valor a mais que você pode dar para ser contemplado com antecedência. Na maioria dos casos, o mínimo é 10% da carta de crédito. Alguns meses podem ser bastante competitivos, afinal, o maior valor acaba sendo o contemplado.

Observe os valores utilizados como parâmetro para que você possa se organizar da melhor forma. Quando se tem uma margem para um lance, diminui a ansiedade de ser contemplado o quanto antes com a sua carta de crédito.

Faça um bom negócio na hora de usar a carta de crédito

Trouxemos algumas dicas para que você consiga realizar o pagamento da sua cota de forma saudável, sem ter nenhum tipo de risco em busca de realizar o seu sonho.

E, ao mesmo tempo em que é necessário ter uma boa organização no pagamento, é importante desfrutar das vantagens da utilização da carta de crédito.

Em primeiro lugar, você deve saber que a carta de crédito dá poder de compra à vista. Ou seja, ao ser contemplado com R$ 100 mil para a compra de um automóvel, por exemplo, é o mesmo que estar entregando este valor integral ao proprietário.

Isso pode dar uma excelente margem de negociação. Tente conversar sobre um possível desconto e não se preocupe em utilizar todo o valor da carta para a compra do bem. O saldo restante pode ser utilizado para documentação, transferência de bens, entre outras burocracias - contanto que não ultrapasse em 10% o valor integral da carta.

Caso o saldo da sua carta de crédito seja insuficiente para a compra do bem que você tanto deseja, também é possível negociar o pagamento do que falta.  

O importante é fazer com que a carta de crédito seja utilizada a seu favor, sempre.

Conte com a transparência do consórcio

Sabemos que existem momentos difíceis enquanto estamos investindo em um bem que tanto desejamos.  

No consórcio, é possível seguir com a desistência da cota. Não se trata de uma decisão recomendada, visto que exige o pagamento de multa por quebra de contrato.  

A devolução dos valores fica condicionada aos sorteios realizados mensalmente, só com cotas canceladas. Vale lembrar que a devolução é obrigatória até o encerramento do grupo. Portanto, não tenha receios: a administradora vai devolver o valor, já descontando a multa, caso opte pelo cancelamento.

Também é possível solicitar a diminuição da mensalidade ou até mesmo da carta de crédito. Porém, dependendo do valor desejado, a administradora precisa consultar as regras do seu grupo.

Para não ter nenhum tipo de prejuízo, também existe a possibilidade de tentar a transferência da sua cota. Isso significa passar para outra pessoa toda a responsabilidade de pagamento e de participar das assembleias. A administradora faz todo esse intermédio, para garantir a transparência e o total comprometimento por parte do interessado em comprar a cota.

Quer mais dicas sobre como planejar a realização do seu próximo sonho? Confira nossas dicas de como se organizar para fazer um consórcio.

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