Conta conjunta: o que é e como funciona

Conta conjunta: o que é e como funciona

O equilíbrio financeiro é uma busca constante em uma família. Existem diversos fatores que acabam influenciando para que se consiga manter o orçamento sob controle e, assim, conquistar seus objetivos a curto, médio e longo prazo.

Um casal, por exemplo, precisa pensar em muitos fatores para manter as finanças sob controle. Deixar para lembrar do que vai pagar quando recebe o salário, por exemplo, é um risco muito grande, que pode fazer com que muitos acabem escorregando em uma conta ou outra.

A utilização de uma planilha financeira, por exemplo, é de grande ajuda: além de ter uma listagem mês a mês, é possível personalizá-la a ponto de identificar qual percentual do seu dinheiro é aplicado para cada gasto.

Só que nem só de pagamento de boletos se resume a vida financeira de um casal, não é verdade? Estruturar o orçamento familiar de um lugar só ou até mesmo ter uma mesma conta bancária para juntar o valor necessário para uma aquisição importante no futuro pode ser uma boa solução. E é aí que entra a importância da famosa conta conjunta, que se trata de uma conta bancária com mais de um titular.

Mas, afinal, do que se trata uma conta conjunta? Realmente é a melhor forma de controle financeiro? Em quais casos esse tipo de conta realmente se aplica? A seguir, vamos entrar nos detalhes deste assunto.

O que é conta conjunta?

A conta conjunta é uma conta com mais de um titular. Por mais que seja uma forma de mencionar quando um casal divide uma mesma titularidade, ela pode ser utilizada para diversos objetivos, afinal, não é preciso ter nenhum tipo de comprovação de parentesco para abrir uma conta conjunta.

Alguns pais, inclusive, aproveitam para dar titularidade para os filhos de sua conta conjunta, a fim de dar exemplo de educação financeira. Outros pais criam uma conta única somente para os filhos, para que possam ter esse tipo de controle.

Existem exemplos de grupos de amigos ou pessoas interessadas em investir que criam uma conta conjunta e definem um objetivo para o dinheiro guardado. A maioria dos bancos permite que uma conta conjunta tenha, no máximo, até cinco titulares. Porém, o mais comum é que tenham apenas dois titulares .

Para fazer a abertura desse tipo de conta, é preciso procurar uma instituição financeira de sua confiança e solicitar a abertura para o gerente.

Tipos de conta corrente conjunta

Existem dois tipos de conta conjunta:

  • Conta conjunta solidária: é o tipo mais comum de conta conjunta, porque permite que a movimentação seja feita por qualquer um dos titulares, sem que seja necessário qualquer tipo de autorização por outro titular. Dessa forma, as movimentações são isoladas por cada um dos ‘donos’ da conta, dando autonomia a cada um deles para comprar ou depositar dinheiro. Esse tipo de conta é recomendado quando se tem confiança mútua entre os titulares: dessa forma, cada um utiliza a conta da forma que desejar.

  • Conta conjunta simples: também conhecido como conta não-solidária, esse tipo de conta conjunta, apesar do nome ‘simples’, exige a assinatura de cada correntista para permitir qualquer tipo de movimentação. Ou seja, não tem como utilizar as funções débito e crédito, por exemplo, sem autorização dos demais titulares.

Como as compras e o consumo geralmente são tomadas de decisão rápidas, são poucas as pessoas que aderem à conta conjunta simples, por conta da burocracia exigida para cada tipo de autorização.

Imagine a seguinte situação: você precisa pagar um boleto e, para isso, vai utilizar a conta conjunta simples. Para que a transação seja efetuada, é necessária autorização dos demais correntistas da conta conjunta, o que pode levar a atrasos ou até mesmo situações mais constrangedoras - já pensou ir em uma loja, passar o seu cartão de débito e ficar aguardando qualquer tipo de autorização humana?

Quem pode abrir uma conta conjunta?

Como já antecipamos, a conta conjunta não é reservada apenas para casais. Existem diversos tipos de casos para a abertura. De qualquer forma, é preciso ter uma conversa séria antes da abertura, para avaliar os riscos e comportamentos previstos diante desse tipo de divisão.

Para abrir uma conta conjunta, é necessário procurar o seu banco de confiança. Você pode considerar uma abertura desse tipo de conta se:

  • For casado no cartório;

  • Está em algum tipo de relacionamento com união estável;

  • Mora junto com outra pessoa;

  • Namora e quer compartilhar as dívidas e responsabilidades;

  • Quer incluir familiares próximos, como pais, filhos, irmãos e parentes

  • Possui amigos, sócios e outras pessoas sem grau de parentesco e, mesmo assim, quer compartilhar a conta.

Também é possível incluir pessoas menores de idade em sua conta conjunta, contanto que tenham o acompanhamento de pai, mãe ou responsável legal.

Ao chegar no seu banco, é necessário apresentar documento de identidade, CPF, comprovante de residência e comprovante de renda.

Cada banco pode ter regras diferentes para esse tipo de abertura, portanto, fique atento às recomendações.

As instituições pedem o preenchimento de um formulário com dados de todos os integrantes da conta conjunta. Caso opte por um banco digital que possui essa modalidade, o procedimento tende a ser mais simples via site ou aplicativo.

Vale lembrar que cada correntista da conta conjunta pode manter suas contas individuais - seja no mesmo ou em outro banco.

Vale a pena ter uma conta conjunta?

A seguir, iremos apresentar as principais vantagens e desvantagens de compartilhar uma conta no banco com uma ou mais pessoas.

Vantagens da conta conjunta

Familiares, casais e até mesmo alguns amigos consideram a conta conjunta uma boa forma de controlar algumas despesas de forma compartilhada.

Talvez esta seja uma de suas maiores vantagens: permitir que as pessoas consigam gerir despesas fixas e variáveis do orçamento doméstico de forma organizada. Esse tipo de conta traz mais transparência entre as pessoas, gerando maior controle de gastos, uma vez que é possível acompanhar a movimentação da conta, ver todas as transações realizadas e até mesmo restringir algumas operações (quando se opta por contas não solidárias, por exemplo).

Para o planejamento financeiro, isso é ótimo. Digamos que você e seu cônjuge tenham uma planilha de controle e, a fim de seguir todos os pagamentos mensais à risca, decidem ter uma conta corrente só para o controle. É possível deixar alguns boletos na função de débito automático e ter um controle mais rígido de gastos de cartão de crédito, por exemplo, de forma transparente e com mais pessoas no controle.

Além disso, é possível juntar um valor maior dentro dessa conta conjunta, o que pode render mais facilidades junto à instituição financeira - concessão de um crédito maior para cheque especial ou mais limite no cartão de crédito, por exemplo.

Isso facilita bastante para objetivos compartilhados: caso queira investir em uma viagem, por exemplo, a conta conjunta pode ser de grande valor, porque facilita a concentração de gastos e até mesmo para o acúmulo mensal. Muitos casais, inclusive, optam pela conta conjunta para direcionar um valor mensalmente e, quando necessário, utilizam o valor para um objetivo em comum.

A conta conjunta também se apresenta como uma boa opção para pais idosos, por exemplo, que possuem algum tipo de dificuldade para realizar transações financeiras. Com uma conta desse tipo, você pode ajudar com os gastos mensais de seus pais ou avós e até mesmo ajudá-los a utilizar o valor em conta quando necessário.

Quem opta por pacotes de conta mais completos, em que são cobradas taxas mensais pelos bancos, pode ‘rachar’ o valor entre os proprietários da conta, reduzindo o dinheiro gasto individualmente pelos titulares.

Agora que você já conhece as vantagens da conta conjunta, vamos levantar as desvantagens, para que você tenha uma melhor decisão.

Desvantagens da conta conjunta

Compartilhar uma mesma conta bancária pode acarretar alguns problemas, seja entre casais, amigos ou familiares. Por isso mesmo, antes de criar esse tipo de conta, vale a pena ter uma conversa e estipular alguns combinados.

Um dos problemas está relacionado à falta de privacidade relacionada aos gastos, afinal, todos podem ver os ganhos de todos - principalmente quando o salário cai diretamente na conta conjunta. Aliás, é preciso combinar com todas as pessoas se irão destinar os seus rendimentos mensais nessa mesma conta, para evitar qualquer tipo de conflito.

Vale lembrar que, perante a lei, todos os titulares têm autonomia sobre o dinheiro que fica em uma conta conjunta. Ou seja, se alguém acabar gastando mais que o combinado, não há respaldo legal para lidar com esse tipo de situação.

Uma conta conjunta, na verdade, deixa os titulares mais expostos em relação aos seus ganhos e despesas. Qualquer quebra de confiança pode fazer com que a sustentação de uma conta dessa natureza se torne inviável.

Por exemplo, se um dos titulares contratar algum tipo de empréstimo na conta, a responsabilidade é de todos da conta - se o valor não for pago, todos serão prejudicados. Vale o mesmo em caso de aquisição de outros produtos, como cheque especial e limite de cartão.

Portanto, converse com antecedência com as pessoas com quem deseja abrir conta conjunta, para não ter problemas posteriores.

Principais dúvidas sobre conta conjunta

Embora seja claro para a maioria das pessoas que uma conta conjunta se trata de uma conta que possui mais de um titular, muitas dúvidas ainda pairam para quem considera esse tipo de contratação.

A seguir, vamos trazer algumas dúvidas comuns sobre as contas conjuntas.

Como faz para abrir conta conjunta?

Para fazer o processo de abertura de uma conta conjunta, antes de tudo, tenha uma boa conversa com todos os titulares.

Para casais, por exemplo, é importante ressaltar a importância da transparência, sempre pensando em um objetivo em comum.

Após essa conversa, procure uma instituição financeira de confiança, levando os seguintes documentos:

  • Documento de identificação válido e dentro da validade;

  • Comprovante de endereço recente;

  • Comprovante de renda, em alguns casos.

Com a entrega da documentação, os titulares são orientados a escolher entre conta conjunta solidária ou não solidária. Veja qual delas mais se encaixa no perfil de cada um e, pronto, a conta está criada!

Os bancos podem emitir cartões para cada um dos titulares, sempre respeitando as premissas da conta conjunta: o dinheiro guardado é de todos.

É possível ter conta poupança conjunta?

Muitas pessoas procuram os bancos para a criação de uma conta conjunta com o objetivo de guardar dinheiro.

Por isso, muitos se questionam sobre a possibilidade de ter uma conta poupança de forma conjunta, para que o dinheiro seja guardado pensando em um objetivo.

A verdade é que, sim, é possível ter uma conta poupança de forma conjunta, com as mesmas premissas de uma conta corrente conjunta: os titulares podem decidir sobre a necessidade ou não de autorização de uso do dinheiro.

Esse recurso pode ser útil para forçar as pessoas a criarem uma poupança e, assim, conseguir juntar um bom dinheiro. Porém, vale ressaltar que existem outros produtos que costumam render mais do que a poupança, sem representar nenhum tipo de risco para o investidor, como os CDBs, títulos de Tesouro Direto, entre outros produtos de renda fixa.

Portanto, a conta poupança conjunta pode ser ótima para forçar os titulares a guardarem dinheiro. Mas, como forma de investimento, é insuficiente para que o dinheiro renda de forma adequada. Não deixe de investir em sua educação financeira para identificar as melhores oportunidades, sempre de acordo com o seu perfil de investidor.

O que acontece se um dos titulares falecer?

Quando um dos titulares vem a óbito, é preciso entrar em contato com o banco, para que os trâmites legais sejam feitos.

Pelo formato de conta conjunta simples, em que é necessária a autorização de todos os titulares para qualquer movimentação, fica impossibilitada qualquer tipo de transação. Nesse caso, será necessário solicitar o encerramento da conta. Então, a instituição financeira irá pegar todo o valor e distribuir para todos os titulares, de acordo com a legislação brasileira.

No caso de uma conta solidária, caso um dos titulares estejam vivos, podem fazer a movimentação tranquilamente, já que o dinheiro na conta é de propriedade de qualquer um dos titulares.

Porém, podem existir casos em que o valor em conta terá que ser inventariado, tornando as movimentações após o óbito tidas como ilegais. Esses casos podem ser comuns quando herdeiros de um dos titulares entram com ação na Justiça para obtenção de direitos relacionados aos bens.

Como funciona a declaração de imposto de renda?

Assim como qualquer outra conta corrente, as contas conjuntas também possuem emissão de comprovante de imposto de renda, que devem ser declaradas de forma legal no leão.

Geralmente as declarações de conta conjunta aparecem no nome do primeiro titular, mas podem ser aplicadas a todos.

Quando for realizar a sua declaração, peça o informe de rendimentos da conta corrente e insira os valores mencionados, para não ter nenhum tipo de problema com a Receita Federal.

Por que vale a pena ter uma conta conjunta?

A seguir, vamos listar alguns motivos para que você considere a criação de uma conta conjunta.

Para objetivos em comum

Manter um planejamento financeiro pode ser mais difícil do que se imagina. Colocar em prática o hábito de poupar e contar com a responsabilidade de todos os envolvidos pode ser uma tarefa difícil quando cada um mantém suas contas em separado.

Para estes casos, a criação de uma conta conjunta pode ser um bom caminho. Dessa forma, todos conseguem acompanhar os gastos e encarar os recursos como uma fonte só, facilitando a comunicação e estimulando o controle de todas as partes envolvidas.

Para envolver os familiares nas finanças

A fim de explicar para os filhos como utilizar o dinheiro da melhor forma, muitos pais criam contas conjuntas, permitindo emissão de cartão de débito e crédito. Pode ser uma boa forma de controlar a mesada e, mais importante: ensinar desde o começo sobre como funciona a educação financeira.

Com uma conta conjunta, os pais podem criar um tipo de permissão para os gastos, facilitando o controle.

Mas, se quiser que o filho aprenda da melhor forma possível a gestão do dinheiro, vale a pena, além de se ter uma conta conjunta, conversas periódicas sobre os gastos que são feitos corriqueiramente. Por mais que facilite bastante a vida dos pais e filhos manter uma conta conjunta, trocar aprendizados é essencial para que o filho seja beneficiado com uma boa educação financeira.

Para criar uma reserva de emergência

A reserva de emergência consiste em, pelo menos, seis vezes o valor dos rendimentos mensais. Este valor deve ser colocado em uma conta de fácil resgate, para lidar com situações imprevistas, como perda de emprego, drástica diminuição na renda ou casos graves de doenças.

Com uma conta conjunta, o casal ou os familiares podem ter um local seguro para manter este valor, mantendo apartado das contas correntes utilizadas no dia a dia. Considere essa opção para criar um bom valor de reserva. É possível automatizar transferências mensais para essa conta, a fim de ter uma boa segurança diante de situações complicadas.

Para controle de gastos de pessoas idosas

Muitos filhos acabam ajudando pais idosos a cuidarem de suas finanças. Em casos assim, a criação de uma conta conjunta pode ser de grande ajuda.

Porém, é importante ter uma conversa sincera com os pais e demais irmãos. Deixe bem claro o objetivo de se ter uma conta desse tipo, auxiliando-os na hora de pagar contas e boletos pela internet e outros meios digitais.

Com esse tipo de conta, é possível até mesmo estimular a educação financeira de todos os envolvidos, dando autonomia para que possam realizar as operações bancárias pela facilidade do celular ou do computador.

Como desenvolver a educação financeira

A partir do momento em que todas as pessoas de casa conversam sobre dinheiro e conseguem guardar um bom valor mensalmente, pode-se dizer que estão dotados de inteligência financeira.

Nesse caso, manter ou não uma conta conjunta pode ser parte de uma estratégia para melhor planejamento financeiro.

Isso leva a decisões mais bem pensadas, principalmente porque mais de uma pessoa pode ajudar a direcionar os gastos e investimentos de forma mais adequada. Aqui cabe aquela velha expressão: duas mentes pensam melhor do que uma, não é mesmo?

Por mais que você pense em um bom planejamento financeiro, é importante buscar o equilíbrio. É importante passear, curtir e viajar com a família. Por outro lado, também é importante ter uma reserva de emergência e conquistar objetivos importantes, seja a compra de um carro, uma casa ou fazer aquela pós-graduação fora do país que sempre desejou. Nesse caso, ter uma conta conjunta pode ser determinante para ajudar a conquistar os objetivos traçados com todos os demais titulares.

O planejamento financeiro permite realizações importantes, porque compreende que os gastos devem ser aplicados naquilo que dá valor a nossas vidas.

Em uma etapa mais adiante, esse discernimento permite considerar aplicações que ajudam a rentabilizar ainda mais o seu dinheiro. Você pode começar guardando dinheiro em uma conta conjunta e, depois, considerar outras formas de rentabilizar melhor, com investimentos em renda fixa e variável.

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