Vale a pena desistir do consórcio?

Vale a pena desistir do consórcio?

O consórcio é uma forma de investir em um bem de alto valor a longo prazo. Isso exige comprometimento contratual, afinal, é a colaboração mensal das parcelas que permite que o fundo comum tenha o valor suficiente para as contemplações.

Por isso que, quando uma pessoa deixa de pagar por uma mensalidade, não pode participar das assembleias. Além de não ser justo com as pessoas que pagam corretamente por sua cota, o inadimplente gera um alto risco para os demais integrantes do grupo de consórcio.

Para proporcionar segurança a todos os envolvidos, a administradora estipula como regra contratual o pagamento da cota. Isso significa que a desistência do consórcio significa uma ruptura de contrato, que pode gerar multa.  

Porém, isso não significa que você deva ficar preso ao consórcio. É possível, sim, desistir de pagar por sua cota. Vamos explicar como funciona esse processo e mostrar algumas alternativas para que você não saia no prejuízo.

O que acontece com quem desiste do consórcio

Existem diversos fatores que podem levar o consorciado à desistência. Porém, este é um caminho que pode gerar prejuízo justamente porque coloca os demais consorciados em risco.

A contribuição mensal de cada um é direcionada ao fundo comum, responsável pelas contemplações. Por ser um tipo de autofinanciamento, o consórcio conta com esse valor mensalmente - tanto que, para cobrir qualquer tipo de inadimplência, realiza a cobrança do fundo de reserva, que serve justamente como segurança adicional.

Ao desistir do consórcio, é preciso seguir o procedimento já estipulado pela administradora. Você não recebe o valor que investiu de cara: assim como os demais consorciados, que precisam passar pelas assembleias, as cotas dos desistentes também passam pelo processo de sorteio. Até o término do grupo, todas as cotas dos desistentes são sorteadas.

Além de ser um processo demorado, a desistência do consórcio gera um ônus para o interessado, que precisa pagar multa e aguardar o recebimento do valor que investiu com os descontos.

Por isso mesmo, a desistência do consórcio só é recomendada em casos realmente extremos, onde não há possibilidade de continuar o pagamento.

Mas, de que forma é possível contornar essa situação? A seguir, vamos mostrar as alternativas a quem pretende desistir do consórcio.

Alternativas para quem quer desistir do consórcio

Sim, existem formas de lidar com o consórcio sem necessariamente desistir dele. Em todos os casos estamos considerando cotas que ainda não foram contempladas - o que permite avaliar algumas das opções que vamos mostrar a seguir.

Transferência de cota

Você pode transferir a sua cota para uma pessoa conhecida ou um parente, se desejar. É um processo que a administradora acompanha de ponta a ponta, para garantir transparência e garantir a confirmação da transferência.

Antes disso, converse com o possível interessado pela sua cota. Como você já investiu diversos meses em uma cota sem ainda ser contemplado, use isso como vantagem na hora de negociar a sua cota. Significa que, para o novo proprietário, terá que esperar um tempo menor para finalmente ser contemplado.

Vale lembrar que a transferência de cota possui uma taxa, que é cobrada do proprietário atual. Porém, na negociação, você pode cobrar um valor à parte, uma vez que o consórcio em andamento pode acelerar o processo de contemplação.

Ao encontrar um interessado, basta procurar a administradora e seguir o passo a passo para a transferência. Nesse processo, a administradora faz uma análise de crédito do interessado, para garantir que ele não seja um inadimplente e coloque os demais integrantes em risco.

Com a aprovação, o novo consorciado pode continuar o pagamento da cota e desfrutar de todos os benefícios do consórcio.  

Redução da carta de crédito

Outra possibilidade é a redução da carta de crédito do consorciado. Ou seja, se você está investindo em um carro por meio do consórcio, com uma carta de R$ 50 mil, mas quer pagar um valor menor de mensalidade, pode muito bem considerar esta opção.

Você deve procurar a administradora, que pode avaliar caso a caso. Dessa forma, ela consulta o grupo e leva em consideração a realidade do consorciado.

Com a redução da carta de crédito, o valor da mensalidade acaba diminuindo, facilitando a continuidade do pagamento da sua cota.

Colocar a cota no mercado

Outra opção para lidar com a sua cota é disponibilizá-la no mercado.  

Basta procurar a administradora e revelar seu interesse em disponibilizar a sua cota. Isso significa que uma pessoa interessada em adquirir um consórcio em andamento pode ‘comprar’ a sua cota. Além de facilitar o trabalho de quem deseja ser contemplado mais rapidamente, trata-se de uma forma de passar a responsabilidade para outra pessoa.

Por envolver pessoas desconhecidas que possam se interessar pela cota, a administradora fica responsável por todo esse procedimento. Você pode disponibilizar a sua cota e continuar pagando as mensalidades ou simplesmente desistir e aguardar algum interessado em comprar a sua cota.

Como evitar a desistência do consórcio

Por ser um comprometimento a longo prazo, as administradoras estimulam os interessados em realizar seus sonhos por meio do consórcio a manterem um bom planejamento financeiro.  

Claro que algumas situações de adversidade podem acontecer. Ter uma reserva de emergência, por exemplo, ou até mesmo adquirir um seguro para a sua cota podem ser medidas que ajudam a contornar uma possível desistência lá na frente.

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