Mercado de consórcios no Brasil: dados, tendências e o futuro do setor

11 de jun. de 202611 minutos de leitura
Mercado de consórcios no Brasil: dados, tendências e o futuro do setor

O mercado de consórcios vive um dos momentos mais relevantes de sua trajetória no Brasil. Diante de um momento marcado por juros altos, mudanças nos hábitos de consumo e maior preocupação com o planejamento da renda, milhões de brasileiros passaram a enxergar o consórcio como uma alternativa ao financiamento para adquirir bens e serviços sem recorrer ao crédito comum.

O que antes parecia somente um modelo de compra de automóveis passou a ser uma alternativa muito mais ampla. Atualmente, o mercado de consórcios atende diferentes objetivos, desde a aquisição de imóveis e veículos até a contratação de serviços, compra de equipamentos agrícolas, renovação de frotas empresariais e investimentos patrimoniais de longo prazo.

Se você quer entender como o mercado de consórcios se consolidou no Brasil e o que esperar para os próximos anos, este artigo é para você. Acompanhe a leitura e confira tudo o que precisa saber!

Mercado de consórcios no Brasil: por que continua em evolução?

Todo esse avanço voltado para o mercado de consórcios no Brasil não se deu por acaso. 

Nos últimos anos, o consumidor brasileiro passou a avaliar com mais atenção os custos envolvidos em diferentes linhas de crédito, principalmente em períodos em que as taxas de juros ultrapassavam a margem de 15% ao ano. 

Diante disso, o consórcio ganhou espaço por oferecer um sistema baseado no planejamento financeiro dos participantes, na formação gradual de patrimônio e na ausência de juros bancários. 

Como a população está cada vez mais atenta aos princípios da educação financeira, esse tipo de investimento tomou conta do centro das conversas de diversos clientes, incluindo investidores, consumidores e empresários.

Os números do setor ajudam a explicar essa proporção, já que o crescimento registrado em 2025 e início de 2026 demonstram que a modalidade deixou de ser só uma solução de nicho para ocupar uma posição cada vez maior dentro das estratégias de aquisição.

Além da expansão da base de participantes, o setor também vem registrando aumento no volume financeiro movimentado, no crescimento das vendas de cotas e numa maior diversificação dos segmentos atendidos. 

O resultado é um mercado mais maduro, mais tecnológico e alinhado às novas demandas dos consumidores.

Outro aspecto importante que precisamos ressaltar é a transformação digital, que mudou a forma como informações corretas sobre o sistema chegam à mesa de novos consumidores. 

Além disso, a modernização das administradoras, a oferta de plataformas online e a simplificação dos processos de contratação contribuíram para ampliar o alcance dos consórcios e tornar a experiência do cliente mais prática e acessível.

Compreender os dados atuais, as tendências em desenvolvimento e as perspectivas para os próximos anos é algo indispensável para quem pensa em investir no consórcio como uma possibilidade de aquisição de bens de alto valor. 

Conheça a evolução do mercado de consórcios no Brasil

Apesar de ainda haver dúvidas sobre o consórcio, precisamos explicar que esse sistema chegou ao Brasil na década de 1960 como uma solução colaborativa para aquisição de automóveis. 

Na época, a dificuldade de acesso ao crédito e a baixa oferta de financiamento estimularam grupos de consumidores a se organizarem para realizar compras coletivas.

Com o passar dos anos, o modelo evoluiu e passou por um processo de regulamentação que trouxe mais segurança aos participantes. A supervisão do Banco Central e o fortalecimento das administradoras contribuíram para consolidar a credibilidade do sistema.

A partir dos anos 2000, o setor iniciou uma fase de expansão mais acelerada. O aumento da renda da população, o crescimento do mercado imobiliário e a busca por alternativas financeiras mais  vantajosas estimularam a adesão aos consórcios.

Nas últimas décadas, a modalidade deixou de atender apenas consumidores interessados em veículos e passou a contemplar diversos segmentos econômicos. 

Hoje, é possível contratar consórcios para comprar imóveis residenciais e comerciais, caminhões, motocicletas, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, embarcações e até mesmo serviços específicos, como viagens para o exterior, intercâmbio, festas de debutante e de casamento e muito mais.

Essa diversificação fez com que o sistema ampliasse sua relevância no mercado e conquistasse diferentes perfis de clientes.

Como funciona o mercado de consórcios?

O funcionamento do consórcio é baseado na formação de grupos administrados por empresas autorizadas pelo Banco Central do Brasil, que seguem à risca as diretrizes impostas pelo órgão competente. 

Há, também, uma lei que garante a proteção dos participantes, conhecida como Lei de Consórcios nº 11.795/2008.

Os participantes entram em um grupo e, mensalmente, pagam parcelas destinadas à formação de um fundo comum, que pode ser definido como uma poupança compartilhada. Esse fundo é utilizado para contemplar integrantes do grupo meses mais tarde, por meio de sorteios ou lances realizados durante as assembleias.

Quando contemplado, o participante recebe uma carta de crédito correspondente ao valor contratado. Esse documento, então, pode ser utilizado para aquisição do bem ou serviço previsto em contrato.

Uma das principais características do sistema é a inexistência de juros. Em vez disso, os participantes pagam taxas administrativas destinadas à gestão do grupo.

Essa estrutura faz com que o consórcio seja frequentemente percebido como uma alternativa mais econômica para quem possui capacidade de planejamento e não depende da aquisição imediata do bem.

Afinal, mesmo somando taxas de administração e de operação, o custo final observado por quem participa do sistema é inferior ao que eles teriam de pagar se estivesse em um financiamento, por exemplo. 

Como a ausência de taxas de juros contribuíram para o mercado de consórcios?

O comportamento do mercado de consórcios está diretamente relacionado às condições macroeconômicas do país.

Em períodos de juros altos, o financiamento tende a se tornar mais caro, aumentando o custo total das operações de crédito. Como consequência, esse cenário favorece modalidades que oferecem um custo financeiro menor no longo prazo.

Nos últimos anos, muitos consumidores passaram a comparar o valor final de um financiamento com o custo de participação em um grupo de consórcio. Em diversas situações, a diferença encontrada reforçou a percepção de que o planejamento financeiro pode gerar mais economia com o passar do tempo.

Outro aspecto que contribuiu positivamente com o sistema foi a volatilidade econômica, que estimulou mudanças comportamentais. Parte dos consumidores passou a priorizar estratégias de compra mais compatíveis com objetivos de longo prazo, o que reduziu a dependência de crédito imediato.

Tudo isso fez com que o mercado de consórcios crescesse e se fortalecesse ainda mais. 

Consórcio deve crescer até 11% em 2026

As perspectivas do Sistema de Consórcios para 2026 indicam a possibilidade de um novo ciclo de crescimento, mesmo em um ambiente econômico ainda desafiador. 

Estudos realizados pela assessoria econômica da ABAC apontam que o setor poderá repetir (ou até superar) o desempenho alcançado em 2025.

A projeção reflete a combinação de fatores que vêm sustentando a expansão do mercado nos últimos anos, como a busca por planejamento financeiro, o aumento da digitalização e a consolidação da modalidade como alternativa para aquisição de bens e serviços.

Caso a estimativa seja confirmada, o setor deverá registrar mais um período de crescimento, reforçando sua posição dentro da economia brasileira.

Veja os números do primeiro trimestre de 2026

Os resultados mais recentes indicam que o setor iniciou 2026 mantendo o ritmo de crescimento observado no ano anterior.

O sistema de consórcios encerrou o primeiro trimestre de 2026 com avanço em seus principais indicadores, o que reforça a retomada gradual dos negócios ao longo dos primeiros meses do ano. 

De acordo com levantamento da assessoria econômica da ABAC, as vendas de cotas cresceram 12,2% no acumulado de janeiro a março, na comparação com o mesmo período de 2025, somando 1,38 milhão de adesões.

Os créditos comercializados atingiram R$ 129,16 bilhões no trimestre, resultado 22,6% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, evidenciando maior intensidade nos negócios e maior valor médio das operações.

Os dados revelam não só o crescimento da quantidade de participantes, mas também uma evolução no valor das operações realizadas, e isso sinaliza o que todos nós já sabemos: que o mercado está fortalecido e muito mais maduro.

Quem é o consumidor do mercado de consórcios atualmente?

Durante muitos anos, existiu a percepção de que o consórcio era uma modalidade procurada principalmente por consumidores que não conseguiam aprovação em linhas de crédito bancário. No entanto, essa realidade mudou.

Hoje em dia, boa parte dos participantes do sistema possui acesso a financiamentos bancários, mas opta pelo consórcio por enxergar vantagens financeiras no planejamento de médio e longo prazo. Trata-se de um público mais informado, que compara custos, avalia cenários econômicos e busca alternativas que permitam a construção de patrimônio de forma sustentável.

Outro ponto que só cresce com a modalidade é a presença de consumidores mais jovens e conscientes. A popularização da educação financeira nas redes sociais e em plataformas digitais fez com que conceitos relacionados a planejamento, reserva de capital e investimento passassem a fazer parte do cotidiano de uma nova geração.

Então, o consórcio passou a ser visto não só como um meio de compra, mas também como um método de organização financeira.

Há ainda um aumento da participação de profissionais autônomos, empreendedores e pequenos empresários. Para esse público, a previsibilidade das parcelas e a possibilidade de utilizar a carta de crédito em diferentes estratégias patrimoniais são diferenciais que precisam ser considerados. Sem contar que a aprovação é muito mais tranquila. 

Conheça a busca por diferentes categorias de consórcio

Se antes a modalidade era limitada à categoria automotiva, hoje, as pessoas utilizam o sistema para comprar imóveis (novos e usados), apartamentos na planta, galpões e salas comerciais, além de máquinas agrícolas e equipamentos pesados. A seguir, você vai entender a procura por cada categoria. Veja:

Consórcio de imóveis

Entre todas as modalidades disponíveis, o consórcio imobiliário é uma das que mais atraem a atenção do mercado.

A valorização dos imóveis observada nos últimos anos e os custos associados ao financiamento habitacional fizeram com que muitos consumidores passassem a considerar o consórcio como uma alternativa para construir patrimônio.

Uma das principais vantagens está na flexibilidade da carta de crédito. Dependendo das condições contratuais, o recurso pode ser utilizado para compra de imóveis novos, usados, terrenos, construção, reforma e até mesmo quitação de financiamentos existentes.

Além disso, muitos investidores utilizam o consórcio como estratégia de aquisição patrimonial. Em vez de buscar crédito imediato, participam de grupos com o objetivo de formar capital e adquirir imóveis em momentos considerados mais favoráveis.

Essa característica aproxima o consórcio de uma lógica de planejamento financeiro de longo prazo, o que ajuda a explicar sua crescente popularidade.

Outro fator que contribui para o crescimento desse segmento é a percepção de segurança. Como os grupos são regulamentados e fiscalizados, muitos participantes enxergam o sistema como uma alternativa segura para alcançar seus objetivos.

Consórcios de veículos 

Embora o setor tenha se diversificado, os veículos continuam ocupando posição de destaque dentro do mercado de consórcios.

Automóveis, motocicletas, caminhões e veículos utilitários representam uma parcela significativa das adesões realizadas todos os anos.

O aumento dos preços dos veículos nos últimos anos influenciaram bastante as novas participações. Com valores cada vez mais altos, muitos consumidores passaram a buscar alternativas que reduzissem o peso financeiro da aquisição.

No caso das motocicletas, o crescimento também está relacionado à expansão dos serviços de entrega, transporte individual e mobilidade urbana. Muitos trabalhadores autônomos utilizam o consórcio como forma de adquirir seu principal meio de trabalho.

Já no segmento de caminhões e veículos pesados, a modalidade tem sido amplamente utilizada por transportadoras e profissionais do setor logístico que buscam ampliar ou renovar suas frotas.

Consórcios para empresas

O crescimento do sistema não está limitado ao consumidor final. As empresas têm buscado cada vez mais manter seu capital de giro funcionando e preferem aderir ao consórcio para evitar entradas altas e parcelas abusivas. 

Dessa forma, fazer uso de consórcios corporativos passou a ser uma estratégia recorrente para adquirir ativos sem comprometer excessivamente o fluxo de caixa.

Entre os principais objetivos empresariais estão:

  • Renovação de frotas;

  • Compra de máquinas industriais;

  • Aquisição de equipamentos agrícolas;

  • Expansão de unidades operacionais;

  • Investimentos imobiliários;

  • Modernização de estruturas.

Para muitas organizações, principalmente pequenas e médias empresas, o consórcio é como uma possibilidade de realizar investimentos de maneira planejada, sem assumir os custos financeiros associados a outras modalidades de crédito.

Essa tendência deve continuar nos próximos anos, estimulada principalmente pela necessidade de aumentar a competitividade e melhorar a eficiência operacional.

Consórcio para agronegócio

Outro segmento que tem contribuído para o crescimento do mercado de consórcios é o agronegócio.

Produtores rurais utilizam a modalidade para investir na compra de tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas, sistemas de irrigação e outros equipamentos necessários para suas operações.

Em um setor que exige investimentos constantes em tecnologia e produtividade, o consórcio pode ser visto como uma alternativa para viabilizar a modernização das propriedades rurais.

Além da aquisição de equipamentos, alguns produtores utilizam cartas de crédito para compra de imóveis rurais e ampliação de áreas produtivas.

A relevância econômica do agronegócio brasileiro faz com que esse segmento continue sendo uma das principais fontes de crescimento para o sistema de consórcios.

Como a transformação digital está mudando a experiência do consumidor?

A digitalização é uma das tendências mais importantes para o futuro do mercado de consórcios.

Durante muito tempo, a contratação de cotas dependia de processos presenciais, análise documental extensa e atendimento mais tradicional. Hoje, boa parte dessas etapas já pode ser realizada de forma digital.

As administradoras têm investido em plataformas online capazes de oferecer:

  • Simulações instantâneas;

  • Contratação digital;

  • Gestão de contratos em aplicativos;

  • Consulta de assembleias;

  • Oferta de lances online;

  • Atendimento humano e automatizado.

Essas mudanças contribuíram para tornar o processo mais simples e acessível.

Ao mesmo tempo, a tecnologia vem permitindo que as empresas conheçam melhor o perfil dos clientes, desenvolvam produtos mais personalizados e aumentem a eficiência operacional.

A tendência é que o uso de inteligência artificial, análise preditiva e automação continue avançando, transformando ainda mais a relação entre administradoras e participantes.

Educação financeira x mudança de comportamento

O crescimento do mercado de consórcios também está ligado a uma transformação cultural observada nos últimos anos.

A população brasileira passou a ter maior acesso a conteúdos sobre finanças pessoais, investimentos e planejamento. Essa mudança influenciou diretamente a forma como as pessoas avaliam suas decisões de compra.

Se anteriormente a prioridade estava na aquisição imediata, hoje muitos consumidores analisam o custo total das operações e consideram alternativas mais alinhadas aos seus objetivos de longo prazo.

Por esse e outros motivos que o consórcio vai ganhando cada vez mais espaço por estimular a disciplina financeira e o planejamento.

A ideia de construir patrimônio gradualmente está ficando mais valorizada, principalmente entre pessoas que desejam evitar endividamento desnecessário.

Embora o financiamento continue sendo uma solução importante em diversas situações, a existência de consumidores mais conscientes financeiramente favorece o crescimento de modalidades como o consórcio.

Conheça os principais desafios do mercado de consórcios

Apesar dos resultados positivos, o setor ainda enfrenta uma série de desafios importantes.

Um deles é a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento da modalidade.

Muitas pessoas ainda associam o consórcio apenas à compra de veículos ou desconhecem aspectos fundamentais relacionados à contemplação, utilização da carta de crédito e formação dos grupos.

Outro desafio está relacionado à competitividade do mercado financeiro.

Nos últimos anos, fintechs, bancos digitais e novas plataformas de crédito passaram a disputar a atenção dos consumidores. Isso exige que as administradoras invistam continuamente em inovação, experiência do usuário e transparência.

A transformação tecnológica também representa um desafio. Empresas que não acompanharem a evolução digital podem perder competitividade diante de concorrentes mais preparados para atender às expectativas dos clientes modernos.

O que esperar do mercado de consórcios até 2030?

As perspectivas para os próximos anos permanecem positivas.

Especialistas do setor apontam que o crescimento deverá continuar sustentado por fatores como a busca por planejamento financeiro, o avanço da digitalização e a ampliação das modalidades disponíveis.

Até o final da década, algumas tendências devem ganhar força.

  1. Mais digitalização: os processos tendem a se tornar ainda mais simples, rápidos e integrados. A contratação digital deverá se consolidar como padrão do mercado;

  2. Personalização das ofertas: a análise de dados permitirá desenvolver produtos mais adequados ao perfil e às necessidades de cada consumidor;

  3. Crescimento dos consórcios de serviços: a utilização de cartas de crédito para educação, saúde, viagens e outros projetos pessoais deverá ampliar sua participação dentro do setor;

  4. Expansão corporativa: empresas de diferentes segmentos devem aumentar a utilização do consórcio como meio de investimento;

  5. Consolidação da cultura de planejamento: a educação financeira continuará influenciando o comportamento dos consumidores, fortalecendo modalidades que incentivam organização e disciplina financeira.

O mercado de consórcios está passando por um período de amadurecimento e expansão que dificilmente pode ser considerado passageiro. Os resultados observados nos últimos anos indicam mudanças no comportamento dos consumidores e uma valorização crescente de soluções baseadas em planejamento financeiro.

As projeções da ABAC para 2026, somadas aos números expressivos registrados no primeiro trimestre do ano, reforçam a percepção de que o setor possui bases para  continuar crescendo e transformando a vida de milhares de brasileiros.

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Se o mercado de consórcios segue avançando no Brasil, o momento é oportuno para conhecer as possibilidades disponíveis e avaliar como essa modalidade pode contribuir para seus objetivos pessoais, familiares ou empresariais.

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