A tecnologia chegou para mudar tudo, inclusive a forma como o mercado imobiliário é visto e procurado.
Se antes a compra de um imóvel para aluguel estava quase sempre associada aos contratos residenciais de longo prazo, hoje existem oportunidades voltadas para estadias de poucos dias ou semanas.
Esse novo movimento abriu espaço para investidores que buscam rentabilidade, diversificação patrimonial e novas fontes de renda em um curto espaço de tempo.
Ao mesmo tempo, a busca por alternativas de aquisição também cresceu. Nem todo investidor deseja assumir um financiamento imobiliário ou comprometer grande parte da renda com parcelas acrescidas de juros.
É por essa razão que o consórcio passou a ser considerado por muitos uma possibilidade de planejamento capaz de viabilizar a compra de imóveis voltados à locação por temporada.
No entanto, precisamos ser sinceros: não basta só investir em imóveis. O sucesso por trás de uma estratégia de locação curta depende de uma série de fatores, como a escolha da região, o perfil do imóvel, a preparação da unidade para receber hóspedes e a gestão financeira.
Por isso, se você pretende investir em imóveis utilizando um consórcio, precisa olhar atento que vai além da compra. É necessário entender como transformar o imóvel em um ativo que seja locado e que gere renda ao longo do tempo. Saiba mais!
Por que investir em imóveis para locação curta?
Por muitos anos, a ideia de investir em imóveis e alugá-los por muitos anos foi praticamente o único caminho para quem desejava gerar renda. O proprietário encontrava um inquilino, assinava um contrato de longo prazo e recebia mensalmente o valor acordado.
No entanto, olhando para uma nova perspectiva, muitos investidores passaram a olhar com atenção para os famosos “aluguéis por temporada”. Afinal, a depender da estratégia, a locação curta pode trazer, sim, muitos benefícios.
De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Valor Econômico, esse mercado tem movimentado bilhões de reais na economia, além de estar se consolidando como uma tendência para os próximos anos.
Os motivos para isso são muitos, no entanto, demonstra-se que, com a atualização das plataformas digitais, agora é possível alugar imóveis por períodos reduzidos para turistas, profissionais em viagens corporativas, estudantes, participantes de eventos e até pessoas em processos de mudança.
Essa modalidade traz mais flexibilidade e, em muitos casos, potencial de receita superior ao aluguel comum. Em determinadas regiões, como na zona sul de São Paulo ou do Rio de Janeiro, um imóvel pode gerar em poucos dias uma receita que equivale a uma parcela do aluguel mensal.
Isso não significa que a locação curta seja automaticamente mais lucrativa em qualquer situação. Não estamos dizendo isso. O que queremos ressaltar é que o desempenho desse tipo de investimento depende da demanda da região, da gestão da operação e da capacidade do imóvel de se destacar em um mercado competitivo.
Todos os imóveis funcionam para locação por temporada?
Um dos erros mais comuns entre investidores iniciantes é acreditar que qualquer imóvel pode apresentar bom desempenho em plataformas de aluguel por temporada.
Na verdade, alguns tipos de imóveis tendem a se adaptar melhor a esse modelo, enquanto outros devem permanecer em seu formato original.
Studios, apartamentos compactos e unidades de um dormitório são bons exemplos de espaços com boa aceitação em regiões urbanas com forte circulação de turistas e profissionais.
Como eles exigem menos investimento em mobília, possuem custos menores e atendem a muita gente, podem ser ótimas opções de negócio para investidores imobiliários.
Isso não significa que imóveis maiores devam ser descartados. Em cidades turísticas, por exemplo, casas e apartamentos com múltiplos quartos podem atrair famílias e grupos de amigos, o que geraria receitas expressivas durante períodos de alta ocupação.
A questão principal é entender quem será o público-alvo antes mesmo da compra.
Um imóvel próximo a centros empresariais tende a atrair um perfil diferente daquele localizado em regiões de lazer. Da mesma forma, uma unidade voltada para estudantes terá características diferentes de um imóvel destinado ao turismo de alto padrão.
O investidor que faz essa análise previamente tende a tomar decisões mais alinhadas ao comportamento real da demanda.
Localização vale mais do que metragem?
Existe um velho ditado do mercado imobiliário segundo o qual os três fatores mais importantes de um investimento são localização, localização e localização. Em um episódio do seriado Todo Mundo Odeia o Chris que essa questão foi muito bem apresentada.
Apesar de parecer um clichê, essa lógica continua sendo extremamente válida quando o objetivo é tentar se beneficiar com a locação de curto período.
Um imóvel amplo, moderno e bem decorado pode ter dificuldade para gerar reservas se estiver situado em uma região pouco atrativa. Em contrapartida, unidades pequenas localizadas em áreas estratégicas frequentemente apresentam taxas de ocupação elevadas.
É só pensar em imóveis localizados em Copacabana e em Volta Redonda, ambas regiões no RJ. Qual deles serviria melhor para o mercado de locação por temporada?
E, ainda assim, qual renderia mais, considerando a localização? Mesmo que a propriedade em Volta Redonda seja maior, a localização privilegiada de Copa tende a influenciar muito mais o preço do aluguel e, consequentemente, a renda do proprietário.
Ao analisar uma região, é importante observar alguns pontos, como:
Demanda: o primeiro aspecto a considerar é a existência de demanda recorrente. Bairros próximos a centros financeiros, hospitais de referência, universidades, polos industriais e atrações turísticas mantêm o fluxo constante de visitantes;
Infraestrutura urbana: restaurantes, supermercados, farmácias, transporte público e facilidade de deslocamento influenciam diretamente a experiência do hóspede. Propriedades mais afastadas da infraestrutura urbana podem não render tanto quanto você gostaria;
Segurança: a segurança também merece atenção. Independentemente do perfil do visitante, a percepção de segurança pode influenciar sua decisão de reserva e as avaliações posteriores;
Além desses 3 aspectos, vale analisar o potencial de valorização da região. Afinal, quem decide investir em imóveis não está buscando apenas renda imediata, mas também crescimento patrimonial ao longo dos anos.
Onde o consórcio entra na estratégia de investir em imóveis?
Quando se fala em compra de imóveis para investimento, muitas pessoas pensam imediatamente no financiamento bancário. Esse é o pensamento mais comum, porque, assim como o pensamento, essa estratégia é imediatista. No entanto, não podemos pensar que seja essa a única alternativa disponível.
O consórcio de imóveis tem sido utilizado por investidores que desejam construir patrimônio de forma planejada, principalmente quando não existe urgência na aquisição. Alguns dados divulgados pela ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio) mostraram isso: quando o consorciado sabe aproveitar o timing do mercado, ele tende a se beneficiar com o prazo oferecido pelo sistema de consórcio.
Nesse formato de aquisição, o participante integra um grupo e contribui mensalmente para a formação de um fundo comum. Ao ser contemplado, recebe uma carta de crédito que pode ser utilizada para a compra do imóvel.
A principal diferença em relação ao financiamento está na lógica da operação.
Enquanto o financiamento permite a aquisição imediata do bem mediante pagamento de juros ao longo dos anos, o consórcio funciona como uma estratégia de planejamento, voltada para quem consegue organizar a compra dentro de um espaço de médio ou longo prazo.
Para o investidor, isso pode representar mais previsibilidade financeira.
Em vez de assumir prestações elevadas logo no início da operação (que podem dobrar ou até triplicar o valor do bem desejado), é possível estruturar a aquisição de forma gradual, alinhando o projeto imobiliário aos objetivos patrimoniais.
Além disso, a carta de crédito oferece liberdade para escolher o imóvel mais adequado no momento da contemplação, respeitando as regras estabelecidas pela administradora. E sabe o que é melhor?
Com a carta de crédito em mãos, o comprador negocia o pagamento da propriedade de forma à vista, o que pode lhe oferecer alguns descontos especiais no momento da negociação.
Como definir o valor ideal da carta de crédito para investir em imóveis?
Uma decisão bastante pautada dentro do processo de investir em imóveis por meio do consórcio é a escolha do valor da carta de crédito.
Muitos investidores cometem o erro de considerar apenas o preço do imóvel. Entretanto, a conta costuma ser mais ampla.
Imagine alguém interessado em adquirir um studio de R$ 350 mil para locação por temporada.
Se a estratégia incluir reforma, mobília, decoração e adaptação para receber hóspedes, o investimento total provavelmente será superior ao valor de compra.
Por isso, o planejamento deve contemplar não só a aquisição do bem, mas também os recursos necessários para colocá-lo em operação.
Outro aspecto importante é observar o perfil do mercado onde o imóvel será inserido.
Em algumas regiões, uma diferença relativamente pequena no orçamento pode representar acesso a bairros mais valorizados ou empreendimentos com maior potencial de ocupação.
Nesses casos, definir adequadamente o valor da carta de crédito pode influenciar diretamente os resultados futuros.
Comprar um imóvel é só o começo
Uma característica comum entre imóveis que apresentam bom desempenho em plataformas de locação curta é o cuidado com a experiência do hóspede.
A compra representa somente a primeira etapa. Nada além disso.
Depois dela, começa um processo de preparação que pode envolver adequações estruturais, reformas, melhorias estéticas e compra de mobiliário.
Muitos investidores descobrem nessa fase que um imóvel com excelente localização ainda precisa passar por ajustes para se tornar atrativo.
Em alguns casos, pequenas intervenções já são suficientes.
Troca de revestimentos desgastados, atualização da iluminação, pintura e reorganização dos ambientes podem transformar completamente a percepção do espaço.
Em outros, o projeto exige mudanças mais profundas para atender às expectativas do público.
Independentemente da dimensão da reforma, o objetivo deve ser sempre o mesmo: criar uma experiência capaz de gerar boas avaliações e estimular novas reservas.
Olhar para esse ponto com atenção pode render frutos positivos no futuro, já que é possível pesquisar e conhecer o imóvel antes mesmo de fechar negócio. A pressa, neste caso, também é inimiga da perfeição.
Como o consórcio de serviços pode ajudar na preparação do imóvel?
Quando a estratégia inclui melhorias relevantes, o consórcio de serviços pode ser considerado como uma alternativa para viabilizar o projeto.
Esse tipo de consórcio permite contratar serviços relacionados a reformas, modernizações e adaptações necessárias para valorizar o imóvel.
Isso quer dizer que ele pode ser utilizado para diferentes finalidades. Entre elas, podemos destacar:
Reformas internas;
Projetos de interiores;
Instalações elétricas;
Serviços de pintura;
Marcenaria planejada;
Automação residencial;
Melhorias de acessibilidade.
O benefício está na possibilidade de estruturar as intervenções sem concentrar todos os custos em um único momento.
Para imóveis destinados à locação curta, isso indica um diferencial importante, principalmente quando o objetivo é posicionar a unidade em um segmento mais competitivo.
Mas veja bem: quando falamos de consórcio imobiliário, estamos nos referindo à categoria que te permite comprar o empreendimento, seja ele pronto ou na planta. O consórcio de serviços, no entanto, é uma outra categoria, que permite reformar, ampliar e melhorar o espaço já adquirido.
O que realmente influencia a rentabilidade de um imóvel de locação curta?
Quando se fala em rentabilidade, muitas pessoas focam exclusivamente no valor da diária. Esse raciocínio costuma levar a análises equivocadas. Na real, o resultado financeiro depende da combinação de diversos fatores.
Um imóvel que cobra diárias mais altas nem sempre apresenta melhor desempenho do que outro com preço mais acessível. É por essa razão que a taxa de ocupação tem um papel importante no meio disso tudo.
Imagine dois imóveis exatamente iguais:
O primeiro cobra diárias altas, mas permanece vazio durante boa parte do mês. O segundo pratica valores moderados e mantém ocupação consistente. Em diversas situações, o segundo exemplo produz resultados superiores.
Diferente do que muitos podem pensar, a taxa de ocupação não é o único e mais importante indicador. Há outros aspectos que merecem acompanhamento frequente, como a qualidade das avaliações, o número de reservas recorrentes, a receita média por estadia e os custos operacionais. Tudo isso pode influenciar diretamente a rentabilidade final.
Por isso, quem deseja investir em imóveis para locação curta deve adotar uma visão empresarial.
Em alguns casos, o imóvel precisa competir pela atenção do hóspede
O crescimento das plataformas de hospedagem aumentou muito a concorrência. Hoje, o viajante encontra centenas de opções disponíveis em poucos minutos, o que nos leva a perceber que a apresentação do imóvel é uma das partes mais importantes da estratégia.
Fotos profissionais, descrição detalhada e comunicação clara ajudam a transmitir confiança antes mesmo da reserva. Mas a competitividade não termina no anúncio. O imóvel precisa entregar aquilo que promete. Internet estável, limpeza impecável, conforto e praticidade influenciam diretamente a percepção do hóspede.
Aqui, faz sentido o ditado: pequenos detalhes fazem diferença.
Uma fechadura eletrônica pode facilitar o check-in. Um espaço de trabalho adequado pode atrair profissionais em viagens corporativas. Uma decoração bem planejada pode tornar a experiência mais agradável e memorável.
Em um mercado baseado em avaliações e reputação, esses fatores contribuem para aumentar ou diminuir a visibilidade do anúncio, além de ajudar a fortalecer o potencial de ocupação.
Por que muitos negociadores negligenciam a gestão da renda?
A compra do imóvel e a geração das primeiras reservas costumam ser os momentos mais empolgantes dessa experiência. No entanto, é a gestão financeira que determina a sustentabilidade do investimento.
Uma dica altamente recomendada por especialistas é separar completamente as receitas e despesas da operação das finanças pessoais.
Esse controle facilita a análise dos resultados e permite identificar oportunidades de melhoria.
Entre os custos que precisam ser monitorados estão condomínio, IPTU, energia, internet, limpeza, manutenção, reposição de itens e taxas cobradas pelas plataformas.
Sem esse acompanhamento, existe o risco de superestimar a rentabilidade do imóvel.
A análise periódica dos números faz com que o investidor compreenda quanto a operação realmente gera de resultado líquido.
Mais do que acompanhar receitas, é necessário entender quais fatores estão impulsionando ou reduzindo o desempenho do ativo.
Como transformar a renda em crescimento patrimonial?
Uma das maiores vantagens de investir em imóveis está na possibilidade de combinar geração de renda com valorização patrimonial.
Quando a operação é bem administrada, parte dos rendimentos pode ser destinada à expansão da carteira imobiliária.
Alguns investidores utilizam esse fluxo para formar reservas destinadas a futuras aquisições. Outros direcionam recursos para melhorias capazes de aumentar a competitividade dos imóveis já existentes.
Também há quem utilize a renda obtida para estruturar novos projetos por meio de consórcios adicionais.
Independentemente da estratégia adotada, o princípio permanece o mesmo: utilizar os resultados gerados por um ativo para fortalecer a construção patrimonial de longo prazo.
Essa abordagem tende a produzir crescimento mais consistente do que decisões motivadas apenas por expectativas de valorização.
O que evitar ao investir em imóveis para locação curta?
Embora as oportunidades sejam relevantes, alguns erros podem comprometer os resultados.
O primeiro deles é comprar sem estudar a demanda local. Muitos investidores se apaixonam por um imóvel e só depois tentam descobrir se existe público suficiente para sustentá-lo.
Outro erro frequente é subestimar os custos de preparação da unidade. A compra costuma representar apenas parte do investimento necessário para colocar o imóvel em operação.
Também é importante evitar decisões baseadas exclusivamente em períodos de alta temporada. Um imóvel deve ser capaz de gerar demanda durante boa parte do ano para apresentar resultados consistentes.
Por fim, negligenciar a gestão financeira pode impedir que o investidor compreenda o verdadeiro desempenho do negócio.
A locação curta abriu novas possibilidades para quem deseja investir em imóveis e construir uma fonte adicional de renda. No entanto, os melhores resultados costumam surgir quando a estratégia vai além da simples aquisição do bem.
Escolher o imóvel adequado, analisar cuidadosamente a localização, planejar o uso da carta de crédito e preparar a unidade para competir em um mercado cada vez mais profissionalizado são etapas indispensáveis para o sucesso do projeto.
Mais do que adquirir um patrimônio, o desafio está em desenvolver um ativo capaz de gerar renda, manter uma boa ocupação e acompanhar as transformações do mercado.
Quando essas etapas são conduzidas com estratégia e visão de longo prazo, a locação curta pode se tornar uma importante aliada na construção de patrimônio e na busca por novas oportunidades de crescimento financeiro.
Então, vale a pena investir em consórcio de imóveis?
Sim, o consórcio pode valer a pena para investir em imóveis, mas a resposta depende muito da estratégia e do prazo que você tem em mente.
Para quem busca adquirir um imóvel imediatamente, o consórcio nem sempre é a opção mais adequada, já que existe a necessidade de contemplação por sorteio ou lance.
Por outro lado, para investidores que trabalham com planejamento de médio e longo prazo, ele pode ser uma alternativa interessante para quem quer construir, aumentar ou diversificar o patrimônio.
Embora exista a taxa de administração, o custo total costuma ser mais previsível para quem consegue esperar o momento da contemplação. Isso faz com que muitos investidores utilizem o consórcio como uma forma de organizar a compra de imóveis sem assumir prestações altas desde o início.
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